Leite A2: quando pode aliviar desconfortos e o que não muda
A variante A2 da beta-caseína pode ser melhor tolerada por algumas pessoas, mas o leite continua contendo lactose e proteínas lácteas.
Estufamento, gases e desconforto depois de tomar leite nem sempre significam intolerância à lactose. Algumas pessoas parecem ter mais dificuldade para digerir a beta-caseína A1 e podem perceber melhora ao consumir leite A2. A troca, porém, não resolve todos os desconfortos: esse leite continua contendo lactose e proteínas lácteas.
A diferença está em uma proteína. O leite convencional pode conter as variantes A1 e A2 da beta-caseína; o leite A2 tem exclusivamente a variante A2. Adriana Stavro, nutricionista mestre pelo Centro Universitário São Camilo e especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis pelo Hospital Israelita Albert Einstein, explica como essa distinção pode estar relacionada à digestão. Ela também tem formação em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School.
O que muda entre as proteínas A1 e A2
As proteínas do leite são divididas em caseínas e proteínas do soro, também conhecidas como whey protein. As caseínas representam cerca de 80% do conteúdo proteico. Dentro desse grupo está a beta-caseína, que pode apresentar diferentes variantes, entre elas A1 e A2.
A diferença entre as duas está em uma alteração na estrutura da proteína. Na posição 67 da cadeia de aminoácidos, a variante A1 tem histidina, enquanto a A2 tem prolina. Essa diferença pode levar à liberação de beta-casomorfina-7 (BCM-7) durante a digestão da A1. O peptídeo vem sendo associado a alterações na motilidade intestinal e a sintomas gastrointestinais. A beta-caseína A2, por sua vez, apresenta menor liberação de BCM-7.
Isso não significa que todas as pessoas terão sintomas com leite A1 ou que o A2 aliviará o desconforto de todo mundo. A resposta pode variar. A seleção de vacas para produzir leite A2 considera animais com genótipo A2A2; trata-se de seleção genética natural, não de modificação genética.
A fonte também observa que a variante A1 da beta-caseína foi identificada apenas em bovinos. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas relatam tolerar melhor leites de cabra, ovelha ou búfala, embora essa observação não determine a resposta de cada indivíduo.
Leite A2 não é leite sem lactose
Intolerância à lactose e desconforto relacionado à proteína são situações diferentes. Na intolerância, a dificuldade está em digerir a lactose, o açúcar naturalmente presente no leite, em razão da redução da enzima lactase. Como o leite A2 não é isento de lactose, não substitui o tratamento ou o acompanhamento adequado dessa condição.
O leite A2 também não é indicado para quem tem alergia à proteína do leite de vaca (APLV). A alergia envolve uma reação imunológica e pode provocar manifestações como urticária, inchaço, dificuldade para respirar e sintomas gastrointestinais importantes. O leite A2 continua contendo proteínas lácteas, incluindo caseínas.
Como investigar os sintomas
A sensibilidade não alérgica à caseína pode envolver desconfortos digestivos sem o mecanismo imunológico clássico observado nas alergias. Até o momento, não existe exame laboratorial validado e amplamente aceito para diagnosticar essa sensibilidade. Stavro explica que a avaliação é clínica: considera o histórico da pessoa, a exclusão de outras condições e a resposta à retirada e posterior reintrodução do leite na alimentação.
Do ponto de vista nutricional, a composição do leite A2 é semelhante à do leite convencional. Ele é fonte de proteínas, cálcio, vitaminas e minerais, mas não há evidências consistentes de que seja superior ou mais saudável para a população em geral. A individualidade deve ser considerada, e desconfortos relacionados ao consumo de leite podem ter causas diferentes. A avaliação de um profissional de saúde pode ajudar a identificar a origem dos sintomas e orientar os próximos passos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



