Cartas da Esperança acolhem crianças em hospital do Paraná
No Hospital Angelina Caron, pacientes trocam desenhos e mensagens; iniciativa também busca acolher pais e responsáveis.
Uma carta ou um desenho não elimina o medo de uma cirurgia, mas pode tornar o ambiente hospitalar um pouco mais próximo para uma criança. No Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, o projeto Cartas da Esperança transforma mensagens feitas por pacientes pediátricos em uma corrente de acolhimento para quem está chegando.
Desenvolvida na Pediatria do hospital há cerca de dois meses, a iniciativa chama atenção para uma realidade que nem sempre combina com as comemorações do Dia das Crianças: para algumas famílias, a infância inclui exames, procedimentos e períodos de internação. Nesse cenário, a troca de mensagens cria uma oportunidade para que crianças que passaram por uma experiência hospitalar deixem um gesto de carinho a outras.
Como funciona a troca de cartas
Às segundas-feiras, crianças que passarão por procedimentos cirúrgicos recebem cartas e desenhos produzidos por outros pacientes pediátricos. Às quartas-feiras, crianças que estão recebendo alta ganham papel e canetas e são convidadas a escrever ou desenhar para quem ainda vai chegar.
Não há roteiro para as mensagens, e o destinatário é desconhecido. Cada criança encontra seu próprio jeito de transmitir carinho: pode desenhar, escrever algumas palavras ou deixar uma mensagem positiva. Assim, quem recebe hoje pode se tornar autora de uma carta para outra criança amanhã.
“O mais bonito é que não precisamos dizer às crianças o que elas devem escrever ou desenhar. Cada uma encontra a sua maneira de transmitir carinho para quem vai chegar depois. Muitas acabaram de passar por uma cirurgia, também sentiram medo e estiveram em um ambiente diferente da rotina delas, mas, na hora de ir embora, conseguem olhar para outra criança e deixar uma mensagem positiva. É uma troca muito genuína”, afirma Dra. Caroline Caron Fukushima, coordenadora do Serviço de Pediatria do Hospital Angelina Caron.
Procedimentos pediátricos no Paraná
Dados da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná mostram que, por meio do programa Opera Paraná, foram realizados 113.458 procedimentos cirúrgicos em crianças de zero a 12 anos entre 2022 e julho de 2025. Nos primeiros sete meses de 2025, foram 24.308 procedimentos pediátricos, média de 3.472 por mês. Os números contabilizam procedimentos e não correspondem aos atendimentos do Hospital Angelina Caron.
Uma carta não substitui medicamentos, tecnologia ou assistência especializada. A proposta é oferecer um sinal de acolhimento em um momento que pode envolver insegurança e medo. A mensagem de outra criança também pode mostrar que alguém já esteve naquele ambiente e pensou em quem chegaria depois.
O cuidado também alcança as famílias
Uma internação muda a rotina de pais e responsáveis, que acompanham exames, aguardam procedimentos e também lidam com apreensões. Por isso, a mensagem deixada por uma criança que já esteve naquele ambiente pode representar acolhimento para a família que chega.
“Quando recebemos uma criança, recebemos também uma família que está vivendo aquele momento com ela. Existe a preocupação com o procedimento, a espera e, muitas vezes, a ansiedade diante de uma situação nova. O cuidado hospitalar precisa considerar essa dimensão. As cartas são um gesto simples, mas carregam uma mensagem importante: outra criança já esteve aqui, passou por essa experiência e deixou algo bom para quem viria depois. Isso também acolhe os pais e responsáveis”, explica Dra. Caroline Caron Fukushima, coordenadora do Serviço de Pediatria do Hospital Angelina Caron.
Ao receber alta, a criança deixa de ser apenas destinatária e pode ajudar quem ainda vai chegar. É nessa continuidade — de paciente para autora — que o projeto se renova, sem prometer apagar as dificuldades de uma internação.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



