Cornelia Wendel transforma memória familiar em livro

Romance Uma maçã para quatro aborda trauma, imigração e vínculos emocionais entre Alemanha e Paraná

Algumas histórias de família não terminam quando uma geração se vai. Em Uma maçã para quatro, a médica e escritora paranaense Cornelia Wendel transforma memórias familiares em um romance sobre as marcas emocionais deixadas pela guerra, pela migração e pelos vínculos que atravessam o tempo.

Publicado pela Editora Labrador, o livro tem mais de 400 páginas e acompanha principalmente Corina, personagem cuja identidade é influenciada pelos traumas vividos por sua mãe, Bertha, sobrevivente das perseguições nazistas. A narrativa também apresenta Ernest, avô ligado às tradições judaicas europeias, e Willy, ex-soldado alemão que tenta recomeçar a vida no Brasil.

Quando o passado continua presente

Ao percorrer diferentes gerações, a obra aborda culpa, pertencimento, perdão, afeto e a dificuldade de conciliar lembranças dolorosas com a vida possível no presente. Bertha representa uma sobrevivente que carrega experiências extremas muito depois do fim da guerra — e cujas consequências alcançam também a formação emocional das filhas.

O romance questiona a ideia de que a resiliência acontece de forma simples ou definitiva. Em vez de apagar o sofrimento, a história mostra como ele pode permanecer nas relações, nos silêncios e nas escolhas de quem veio depois.

“A ideia da escrita não era minha. Era de um amigo apaixonado por história. Toda vez que eu contava algum caco incompleto da trajetória dos meus avós, ele falava: ‘Alemoa, tu tens que escrever sobre isso, tu tens muito pra contar, isso ainda vira um best-seller!’. E um belo dia rascunhei a primeira página e, de repente, as páginas fluíram uma atrás da outra até virarem ‘Uma maçã para quatro’”, relata Cornelia.

Entre a Alemanha e o interior do Paraná

A narrativa se desloca entre a Alemanha e o interior paranaense para retratar a adaptação de famílias imigrantes. O choque cultural, o isolamento, as dificuldades da vida rural e a busca por identidade aparecem como parte da experiência dos personagens.

Filha de um lavrador de origem alemã e de uma dona de casa de origem judaica, Cornelia Wendel nasceu em 1965, em Rolândia, no sul do Brasil. Médica e leitora desde muito jovem, ela usa a ficção para revisitar o legado de sua própria família.

“Se há uma mensagem nas entrelinhas dessa obra, o meu desejo é que ela toque o leitor de modo a escancarar o fio invisível que une gerações sem nunca ser cortado, apenas entrelaçado de formas diferentes entre cada personagem. O ar que eu respiro e o chão no qual piso trazem as marcas de cada antepassado meu, com todas as suas dores e alegrias. Eles estão em mim. E eu estarei em cada descendente que vier”, afirma a autora.

Mais do que recontar acontecimentos históricos, Uma maçã para quatro propõe uma reflexão sobre aquilo que herdamos sem perceber — e sobre como cada geração pode reinterpretar as dores, os afetos e as histórias que recebeu.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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