Procura por procedimentos faciais cresce 300% e alerta para impacto emocional

Especialista destaca os efeitos da pressão estética e orienta sobre autocuidado e autoaceitação

A procura por procedimentos estéticos não cirúrgicos no Brasil cresceu mais de 300%, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Esse aumento está relacionado à exposição constante a imagens padronizadas e filtros digitais que promovem uma juventude idealizada e uma busca por simetria facial.

Embora a decisão por intervenções estéticas seja legítima e individual, especialistas alertam para os impactos emocionais dessa busca, especialmente quando o espelho passa a ser visto como um problema a ser corrigido constantemente.

O impacto das redes sociais na autoestima

A psicóloga Ana Paula Ribeiro Hirakawa, da CER IV M’Boi Mirim, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo gerenciada pelo CEJAM, explica que a busca repetida por mudanças pode esconder angústias mais profundas. Segundo ela, “essa busca desenfreada não está relacionada apenas à vaidade. Muitas vezes, existe uma tentativa repetida de silenciar, por meio de procedimentos, uma angústia que é mais profunda”.

O contato diário com imagens modificadas por filtros pode levar à interpretação das características naturais do rosto como falhas, alimentando a necessidade de validação externa. Em vez de questionar se a mudança é desejada pessoalmente, a pessoa busca alcançar padrões aprovados online.

Envelhecer também faz parte da identidade

A pressão estética não afeta apenas mulheres jovens. A idealização da juventude e da simetria facial atravessa gerações, criando a expectativa de que marcas do tempo, como linhas de expressão, devam ser apagadas.

Ana Paula destaca que “as marcas em um rosto carregam a atmosfera da vida daquela pessoa, são a escrita visual das suas vivências”. Ela alerta que substituir a singularidade por um padrão reproduzido pelo algoritmo pode fazer o rosto perder sua história.

Como avaliar o desejo por um procedimento

Antes de decidir por uma intervenção estética, é importante refletir sobre alguns aspectos:

  • O desejo é motivado por vontade pessoal ou pela comparação com outros?
  • A mudança é vista como autocuidado ou como única forma de se sentir aceito?
  • A insatisfação com a aparência interfere na rotina e nos pensamentos?
  • Espera-se que o procedimento resolva uma angústia que vai além da aparência?

A psicóloga recomenda selecionar com critério as contas seguidas nas redes sociais para reduzir gatilhos de comparação e investigar as motivações reais por trás da intervenção. Quando a insatisfação se torna obsessiva e prejudica o convívio social, o acompanhamento terapêutico é indicado.

“A intervenção estética pode ser uma escolha legítima, mas não pode funcionar como um anestésico”, conclui Ana Paula. O objetivo é ampliar a autonomia para que as decisões sejam tomadas com consciência, bem-estar e liberdade, e não como resposta à pressão por uma perfeição inalcançável.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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