BRCA2 pode elevar risco de câncer de próstata em homens
Variantes hereditárias em BRCA1 e BRCA2 também se associam a câncer de mama masculino e pâncreas, segundo material da CENTOGENE.
Homens com variantes patogênicas hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 podem ter risco aumentado de alguns tipos de câncer, especialmente o de próstata. Segundo o National Cancer Institute (NCI), citado em material da CENTOGENE, portadores de alterações em BRCA2 podem ter risco de câncer de próstata até sete vezes maior do que o da população geral.
Isso não significa que a doença necessariamente se desenvolverá. O risco varia conforme o gene envolvido, o histórico familiar e outros fatores individuais. Até os 80 anos, a estimativa apresentada é de 19% a 61% para homens com alteração em BRCA2 e de 7% a 26% para aqueles com BRCA1, ante cerca de 10,6% entre homens em geral.
Genes também se relacionam a outros tumores
BRCA1 e BRCA2 orientam a produção de proteínas que participam do reparo do DNA. Quando uma variante patogênica afeta esse mecanismo, podem se acumular alterações nas células ao longo da vida, favorecendo o desenvolvimento de tumores.
Além do câncer de próstata, os genes estão associados ao câncer de mama masculino e ao câncer de pâncreas. Para o câncer de mama masculino, o NCI estima risco de 1,8% a 7,1% até os 70 anos para portadores de BRCA2 e de 0,2% a 1,2% para BRCA1, enquanto a estimativa para a população masculina geral é de cerca de 0,1%.
A herança pode vir tanto do pai quanto da mãe. Cada filho ou filha de uma pessoa portadora tem 50% de chance de herdar a mesma variante, de acordo com o material. Por isso, a avaliação do histórico familiar considera parentes homens e mulheres das duas linhagens, incluindo casos de câncer de mama em idade jovem, ovário, próstata, mama masculina e pâncreas.
Quando a investigação genética pode ser indicada
O teste genético germinativo busca alterações hereditárias, presentes desde o nascimento, e costuma usar amostra de sangue ou saliva. De acordo com Carlos Leprevost, diretor médico e geneticista da CENTOGENE, não há indicação para testar todos os homens indiscriminadamente: idade ao diagnóstico, tipo de tumor e histórico familiar precisam ser considerados.
No câncer de próstata, a investigação pode ser indicada em tumores metastáticos ou de alto risco e quando há suspeita de predisposição hereditária na família. O especialista também diferencia esse exame do teste somático, feito no tumor para buscar alterações adquiridas ao longo da vida e auxiliar na escolha de tratamentos. Uma alteração de BRCA1 ou BRCA2 identificada no tumor não confirma, por si só, que ela seja hereditária.
Quando uma variante germinativa é identificada, o resultado pode orientar o acompanhamento individualizado e a investigação em cascata de familiares biológicos. A interpretação, segundo Leprevost, deve ser feita por profissionais especializados, com base nas evidências sobre a variante e no histórico clínico e familiar.



