Como organizar o tempo de tela das crianças em casa

Psicopedagoga de Campo Mourão sugere regras, alternativas e participação dos adultos para equilibrar o uso de dispositivos.

Organizar o tempo de tela das crianças pode envolver regras claras, atividades fora dos dispositivos e participação ativa dos adultos, segundo a psicopedagoga Mariana Cristina de Oliveira, do Colégio Integrado, em Campo Mourão (PR). A especialista destaca que a tecnologia não deve substituir experiências como brincar, conviver, dormir e se exercitar.

De acordo com os limites citados no material e atribuídos à Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a exposição deve ser zero para menores de dois anos, de até uma hora para crianças de 2 a 5 anos e de, no máximo, duas horas para a faixa de 6 a 10 anos.

Mariana afirma que o desenvolvimento cognitivo, emocional, motor e social exige interações reais. Na avaliação dela, o uso excessivo do ambiente digital pode afetar o sono, a atenção, a aprendizagem e a prática esportiva, além de dificultar a autorregulação emocional e reduzir o tempo de convivência familiar.

Medidas para a rotina familiar

Entre as estratégias sugeridas pela psicopedagoga estão criar zonas sem celulares, como a mesa de jantar e os quartos, e definir períodos de desconexão. Ela recomenda desligar os aparelhos uma hora antes de dormir.

Outra proposta é registrar os combinados familiares e suas consequências em um “contrato” visível. Cronômetros ou alarmes podem avisar o fim do período de uso, enquanto tarefas escolares concluídas previamente e ferramentas de controle parental podem ajudar a organizar o acesso.

A especialista também sugere oferecer alternativas, como rodízio de brinquedos, passeios ao ar livre e jogos de tabuleiro. Para ela, os adultos devem reduzir o próprio uso de telas perto das crianças e, quando possível, assistir ou jogar junto para conversar sobre o conteúdo.

Um exemplo relatado por uma família

Ray Nowasco, mãe de Mateus, de 6 anos e aluno do Colégio Integrado, relata que adotou com o marido um Quadro de Rotina no início deste ano. O painel apresenta tarefas diárias e o período permitido para tablet ou celular; a cada meta cumprida, o menino coloca uma “carinha feliz”.

Segundo Ray, a mudança não foi imediata. Ela relata que o filho passou a incluir leitura, natação, judô e atividades em casa em sua rotina de lazer. O relato é uma experiência particular da família, não uma garantia de resultado para outras crianças.

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