Aptidão física foi associada a menor risco de câncer de próstata

Estudo com 57.652 homens suecos observou associação entre melhora cardiorrespiratória e menor incidência da doença.

Homens que aumentaram mais de 3% a aptidão cardiorrespiratória apresentaram risco 35% menor de desenvolver câncer de próstata, em comparação aos que tiveram redução da capacidade física, segundo estudo publicado no British Journal of Sports Medicine. A associação não significa que exercícios previnam a doença nem substitui consultas e exames médicos.

A pesquisa acompanhou 57.652 homens suecos submetidos a avaliações de condicionamento cardiorrespiratório em bicicleta ergométrica. Durante o período analisado, 592 participantes desenvolveram câncer de próstata. Os pesquisadores encontraram associação com a incidência da doença, mas não observaram relação significativa com a mortalidade pelo câncer de próstata.

O tema ganha relevância diante da estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A projeção corresponde a cerca de 30,5% dos novos casos de câncer entre homens, sem considerar tumores de pele não melanoma.

Resultados observacionais exigem cautela

Uma revisão sistemática publicada na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, vinculada ao American College of Sports Medicine, reuniu dezenas de estudos sobre atividade física e câncer. Entre homens já diagnosticados com câncer de próstata, pesquisas incluídas na revisão associaram níveis mais altos de atividade física a reduções de até 49% no risco de mortalidade geral e de 38% na mortalidade específica pela doença, em relação aos grupos menos ativos.

Segundo os autores, porém, os resultados são observacionais e não demonstram que o exercício, isoladamente, determine a evolução do câncer. Jauan Anselmo, profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício, ressalta que o treinamento deve ser entendido como parte de hábitos associados à saúde, e não como garantia de prevenção.

De acordo com Anselmo, o exercício regular melhora a capacidade cardiorrespiratória, fortalece a musculatura e contribui para o controle do peso e de processos inflamatórios. Ele explica que, durante a contração muscular, são liberadas miocinas, substâncias envolvidas na comunicação entre músculos e outros órgãos e em processos de regulação metabólica e inflamatória.

Exercício durante o tratamento exige acompanhamento

Para pessoas em tratamento oncológico, diretrizes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) recomendam exercícios aeróbicos e resistidos quando clinicamente indicados. As evidências citadas apontam benefícios na redução da fadiga e na preservação de força, capacidade cardiorrespiratória e funcionalidade.

Anselmo destaca que a prescrição deve ser individualizada, considerando tipo de câncer, etapa do tratamento, efeitos colaterais, limitações funcionais e orientações da equipe médica. Antes de começar ou retomar os treinos, é fundamental avaliar as condições clínicas e ter liberação da equipe responsável.

Mesmo homens fisicamente ativos não devem deixar de lado consultas e exames, especialmente quando há fatores como idade e histórico familiar. A atividade física é complementar ao cuidado médico e não elimina o risco de câncer de próstata.

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