Estudo aponta mais infartos no Natal e Ano-Novo na Suécia
Análise de 283 mil registros identificou aumento relativo de 15% no período; resultados não comprovam alta em novembro nem se aplicam automaticamente ao Brasil.
Uma pesquisa publicada no British Medical Journal em 2018 identificou aumento relativo de 15% no risco de infarto durante o período de Natal e Ano-Novo na Suécia. O levantamento analisou 283.014 registros entre 1998 e 2013; na véspera de Natal, a elevação chegou a 37% em comparação com os períodos de referência usados pelos pesquisadores.
Os resultados não demonstram aumento específico em novembro e não podem ser automaticamente aplicados ao Brasil. Ainda assim, segundo os cardiologistas Daniel Petlik e Patrícia Hitomi Kuga, o período de fechamento do ano pode reunir estresse persistente, menos sono e mudanças de hábitos que dificultam o controle de fatores de risco cardiovascular em pessoas vulneráveis.
Estresse intenso pode atuar como gatilho
Outro estudo, publicado na revista Circulation, analisou 12.461 pacientes de 52 países e encontrou associação entre episódios intensos de raiva ou abalo emocional e chance aproximadamente 2,4 vezes maior de início de infarto na hora seguinte. A associação merece atenção sobretudo quando há outros fatores de risco, mas não significa que o estresse seja a única causa de infarto.
De acordo com Petlik, a resposta ao estresse envolve hormônios como adrenalina e cortisol, capazes de elevar temporariamente a frequência cardíaca e a pressão arterial. A sobrecarga constante, acompanhada de hábitos como dormir menos, abandonar exercícios, consumir álcool em excesso ou alimentos ricos em sódio, pode prejudicar o controle de condições preexistentes.
Sintomas não devem ser atribuídos automaticamente à ansiedade
Dor ou pressão no peito, desconforto que se espalha para braços, costas ou mandíbula, falta de ar, suor frio e náuseas estão entre possíveis sinais de infarto. Algumas pessoas podem apresentar manifestações menos típicas. Patrícia Kuga alerta que, diante de suspeita, é necessário buscar assistência de emergência imediatamente.
Os especialistas também orientam manter o acompanhamento médico, monitorar a pressão arterial, não interromper medicamentos prescritos por conta própria, moderar o álcool e evitar o tabagismo. Para quem já tem hipertensão, diabetes ou colesterol elevado, a ausência de sintomas não elimina a necessidade de acompanhamento.



