Coçar os olhos pode agravar o ceratocone em pessoas predispostas
Oftalmologista alerta que o hábito repetitivo pode aumentar o estresse sobre a córnea; exames ajudam a identificar alterações precoces.
Coçar ou pressionar os olhos repetidamente pode contribuir para a progressão do ceratocone em pessoas com predisposição à doença, segundo a oftalmologista Larissa Bowens, do Hospital Oftalmos. O problema provoca afinamento e deformação progressiva da córnea, estrutura transparente na parte frontal do olho, e pode comprometer a qualidade da visão ao longo do tempo.
De acordo com a médica, a córnea perde seu formato regular e passa a apresentar uma curvatura mais acentuada e irregular. Embora o ceratocone tenha origem multifatorial, estudos apontam forte associação entre a doença e o ato frequente, intenso e repetitivo de esfregar os olhos, pois o hábito causa estresse mecânico na córnea.
O alerta é especialmente relevante para crianças, adolescentes e pessoas com histórico familiar de ceratocone. “Em pessoas com predisposição ao ceratocone, esse trauma pode contribuir para o enfraquecimento e a deformação progressiva da estrutura corneana”, afirma Larissa Bowens.
Alterações podem não causar sintomas no início
Nas fases iniciais, o ceratocone pode evoluir sem sintomas percebidos no cotidiano. Segundo a especialista, exames específicos conseguem detectar alterações precoces na córnea, inclusive quando a pessoa acredita enxergar normalmente.
A presença de alergias oculares também merece atenção. Quadros de coceira recorrente, como os relacionados à conjuntivite alérgica, podem levar ao atrito constante nos olhos. Para a oftalmologista, esse comportamento pode favorecer a progressão do ceratocone em indivíduos suscetíveis.
Tratamento busca reduzir o agravamento
Quando identificado precocemente, o ceratocone pode ser acompanhado e tratado para reduzir o risco de agravamento. Entre as alternativas citadas pela médica está o crosslinking corneano, procedimento cujo objetivo é preservar a estabilidade da córnea e atuar sobre a progressão da doença.
Lentes de contato especiais, como as rígidas corneanas e as esclerais, também podem contribuir para a reabilitação visual, de acordo com Larissa Bowens. Ela ressalta que o diagnóstico não significa necessariamente perda de visão ou necessidade de transplante de córnea, pois há recursos para controlar a evolução do quadro e recuperar a qualidade visual.
A recomendação da especialista é não ignorar mudanças na visão, evitar esfregar ou pressionar os olhos e manter o acompanhamento oftalmológico regular.



