Virar a noite estudando pode prejudicar o vestibular
Psicóloga alerta que a privação de sono afeta foco e memória; estudo citado aponta sono comprometido entre pré-vestibulandos.
Estudar durante a madrugada na reta final para o Enem e outros vestibulares pode comprometer a fixação de conteúdos, a interpretação de textos e a estabilidade emocional, segundo Ligia Kaori Matsumoto, psicóloga do Hospital Dia M’Boi Mirim I, em São Paulo. A unidade é vinculada à Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo e gerenciada pelo CEJAM.
Um estudo citado pela instituição, publicado na revista Research, Society and Development, avaliou candidatos a vagas concorridas e apontou que 80% tinham o sono severamente comprometido, com demora para adormecer e descanso noturno fragmentado. Mais de 90% dos entrevistados relataram disfunção diurna, como dificuldade persistente para manter foco, estado de alerta e disposição mental ao longo do dia de estudos.
Como a falta de sono afeta a aprendizagem
De acordo com a psicóloga, a absorção de uma matéria não termina ao fechar o caderno. Nas fases profundas do sono, o cérebro faz a triagem das informações aprendidas durante o dia e fortalece sinapses ligadas à memória de longo prazo.
Por isso, segundo Matsumoto, virar a noite pode gerar uma sensação momentânea de produtividade, mas dificultar o armazenamento do conteúdo. A profissional afirma que a vigília prolongada reduz a atividade no córtex pré-frontal, estrutura associada ao foco sustentado, à tomada de decisões e ao raciocínio lógico.
Em provas longas, ela diz que o cansaço pode aparecer como releitura repetida de enunciados sem compreensão, menor agilidade nas escolhas e os chamados “brancos”.
Alerta para automedicação e estimulantes
A pressão pela aprovação também pode levar ao consumo excessivo de café e energéticos ou à automedicação com substâncias estimulantes, alerta a psicóloga. Sem prescrição e orientação médica, essa prática pode sobrecarregar o organismo e potencializar crises de ansiedade, taquicardia e insônia severa, segundo ela.
Como orientação para a reta final, Matsumoto recomenda manter entre oito e dez horas de repouso por noite, reduzir o uso de telas antes de deitar, fazer pausas nos estudos e preservar momentos de lazer e convivência social. Em caso de insônia persistente, crises de ansiedade ou esgotamento físico, estudantes e familiares devem buscar apoio especializado em saúde mental.



