O que avaliar antes de uma cirurgia plástica
Revisão de 23 estudos associou preparo com exercícios ou suporte nutricional a menos complicações e internações mais curtas.
Antes de uma cirurgia plástica, histórico de saúde, exames, alimentação, condição muscular, medicamentos e organização da recuperação devem entrar na avaliação individual. Uma revisão de 23 estudos clínicos, com 2.182 participantes, associou programas pré-operatórios com exercícios ou suporte nutricional a menos complicações e internações mais curtas em operações de diferentes especialidades.
O trabalho, publicado em 2026 no Journal of the American College of Surgeons, não trata apenas de cirurgia plástica. Para o cirurgião plástico Alexandre Peruzzo, responsável pela Clínica Dr. Alexandre Peruzzo, em Porto Alegre, a avaliação anterior ao procedimento permite identificar fatores que podem influenciar a recuperação e adaptar o planejamento às necessidades de cada paciente.
“Não se trata de exigir que todos cheguem à cirurgia com uma condição física ideal. O importante é conhecer a saúde de cada paciente, identificar o que pode ser melhorado e adaptar o planejamento às suas necessidades, sem transformar o preparo em uma barreira desnecessária”, afirma Peruzzo.
Exames, alimentação e condições metabólicas
Segundo o especialista, doenças preexistentes, cirurgias anteriores e alterações como anemia podem influenciar a recuperação. Os exames ajudam a identificar riscos, avaliar a segurança da anestesia e orientar cuidados adicionais. Um resultado fora dos valores de referência não impede necessariamente a intervenção, mas precisa de interpretação médica.
O estado nutricional também é parte da avaliação. Proteínas participam da reparação dos tecidos, enquanto vitaminas, minerais e ingestão adequada de calorias contribuem para a cicatrização. Dietas muito restritivas, deficiências nutricionais ou emagrecimento acentuado podem exigir ajustes antes da cirurgia, sem que isso determine um mesmo cardápio para todas as pessoas.
Diabetes, resistência à insulina e outras alterações metabólicas devem ser investigados conforme o histórico clínico. De acordo com Peruzzo, o controle da glicose influencia a cicatrização e o risco de infecções; quando necessário, o acompanhamento médico pode ajustar tratamentos e avaliar o momento adequado para a operação.
Atividade física, medicamentos e planejamento da recuperação
A musculatura contribui para a manutenção da força e da capacidade funcional durante a recuperação. Pessoas fisicamente ativas podem ter melhores condições para atravessar períodos de mobilidade reduzida, mas quem não se exercita regularmente não deve iniciar treinos intensos às vésperas do procedimento. A orientação, afirma o médico, deve respeitar a capacidade individual.
Remédios de uso contínuo, suplementos e medicamentos para emagrecer precisam ser informados à equipe de saúde, pois algumas substâncias podem interferir na anestesia ou aumentar o risco de sangramento. Tabagismo e consumo de álcool também devem ser avaliados. Qualquer suspensão ou alteração de tratamento requer orientação profissional.
O preparo inclui ainda questões práticas após a alta, como afastamento do trabalho, disponibilidade de acompanhantes e apoio em tarefas domésticas. Essas medidas ajudam a cumprir as recomendações médicas sem antecipar esforços durante a recuperação.
Na escolha da técnica, Peruzzo defende procedimentos minimamente invasivos quando houver indicação, com o objetivo de limitar o impacto sobre o organismo. “O planejamento deve considerar não apenas a mudança estética, mas também como essa pessoa vai atravessar a recuperação”, diz.



