Sob pressão, líderes podem repetir erros no planejamento

Especialista recomenda revisar margem, padrões de gestão e autonomia antes de assumir compromissos para 2027.

Decisões tomadas sob estresse e sobrecarga podem comprometer o planejamento empresarial, segundo o estrategista Thiago Shimada. Para o período de definição de orçamento e investimentos para 2027, ele recomenda criar critérios que reduzam a dependência do estado emocional de quem decide.

O tema ganha relevância diante de dados divulgados pela Gartner: 44% dos CEOs enfrentam dificuldades para demonstrar o retorno financeiro de investimentos em inteligência artificial, enquanto 75% pretendem aumentar os gastos com tecnologia. Em outro levantamento da consultoria, divulgado em 19 de outubro, 13% dos 2.002 líderes de tecnologia ouvidos entre maio e julho de 2026 disseram que suas organizações já alcançaram resultados significativos ou transformadores com inteligência artificial.

Segundo Shimada, ter indicadores, relatórios e projeções não assegura uma boa decisão. Sob estresse, processos relacionados à atenção, ao controle de impulsos e à avaliação de alternativas podem ser prejudicados. Isso não significa que toda escolha feita sob pressão será ruim, mas indica a importância de estruturar critérios para decisões relevantes.

Cuidados para o planejamento empresarial

Entre os pontos destacados pelo especialista está não confundir faturamento com resultado. Antes de definir metas de expansão, a análise deve incluir margem, custos, rentabilidade e geração de caixa, pois uma empresa pode vender mais e terminar o ano com menos dinheiro disponível.

Shimada também sugere identificar decisões que se repetiram sem funcionar. A revisão, segundo ele, deve considerar comportamentos e critérios de gestão, além dos indicadores financeiros. Entre os exemplos citados estão manter um produto pouco rentável por apego ao projeto, contratar sem resolver problemas de produtividade ou insistir em uma estratégia comercial que eleva o faturamento, mas reduz a margem.

Contratações estratégicas, expansão de unidades, investimentos altos e mudanças na estrutura do negócio devem ser avaliados fora de momentos de urgência ou esgotamento, sempre que possível. Outro cuidado é definir quem precisa decidir: concentrar todas as aprovações no proprietário pode aumentar a sobrecarga da liderança e reduzir a velocidade da empresa.

Por fim, o especialista ressalta que projetos iniciados não precisam continuar quando deixam de fazer sentido. Para ele, reconhecer padrões de centralização, impulsividade ou insistência em estratégias sem resultado pode evitar a repetição dos mesmos problemas no planejamento de 2027.

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