46% dos homens acima de 40 anos buscam médico só com sintomas
Levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia indica procura tardia por atendimento; entre usuários exclusivos do SUS, índice chega a 58%.
Quase metade dos homens brasileiros com mais de 40 anos procura atendimento médico apenas quando sente algum sintoma. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), feito com 1.500 homens de todas as regiões do país, 46% dos entrevistados nessa faixa etária relataram esse comportamento.
Entre os usuários exclusivos do Sistema Único de Saúde (SUS), o percentual chegou a 58%. A pesquisa também aponta que somente 32% dos participantes se consideraram muito preocupados com a própria saúde.
Os dados ganham destaque durante o Novembro Azul, campanha conhecida pela conscientização sobre o câncer de próstata e que também propõe uma discussão mais ampla sobre prevenção e saúde mental ao longo da vida.
Vulnerabilidade pode adiar a busca por cuidado
Para a psicóloga Cristiane Pertusi, presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar (ABRATEF), a procura tardia pode estar ligada à forma como muitos homens aprenderam a lidar com a vulnerabilidade. “Muitos homens cresceram valorizando a capacidade de suportar e resolver tudo sozinhos. Esse aprendizado pode fazer com que o cuidado apareça apenas quando alguma coisa já começou a interferir na vida”, afirma.
De acordo com a especialista, a ideia de autonomia também pode incluir reconhecer limites e buscar os recursos necessários para o próprio cuidado. Na prática, uma consulta pode ser adiada quando o sintoma parece suportável, enquanto o cansaço emocional pode permanecer sem atenção até afetar a rotina.
Prevenção inclui saúde física e emocional
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença representa 30,5% dos cânceres estimados entre os homens no período.
Segundo Cristiane Pertusi, o acompanhamento psicológico pode ser iniciado diante de mudanças persistentes de comportamento ou de situações que passaram a causar sofrimento, sem a necessidade de esperar uma crise. A fonte também destaca a importância de manter acompanhamentos de saúde em dia, observar mudanças que afetem a rotina e falar sobre dificuldades antes de chegar ao limite.



