Retrofit no Centro de Curitiba abre espaço para pequenos negócios

Projetos de requalificação mobilizam serviços especializados; fórum em novembro de 2026 discutirá os desafios e possibilidades do setor.

A requalificação de imóveis no Centro de Curitiba pode abrir espaço para micro e pequenas empresas de arquitetura, engenharia, restauração, instalações e outros serviços especializados. Segundo a Governança EloHabitar, projetos de retrofit mobilizam uma cadeia que vai de estudos técnicos e reformas à manutenção e à operação imobiliária.

O tema estará no 2º Fórum Setorial EloHabitar, marcado para 11 de novembro de 2026, das 9h30 às 17h, no Sebrae/PR, em Curitiba. Com o tema “A Cidade Existente como Oportunidade”, o encontro discutirá o aproveitamento da infraestrutura já instalada e novos usos para edificações existentes.

Para Rodrigo Melo Viana, consultor do Sebrae/PR, políticas públicas que estimulam retrofit, recuperação e novos usos de imóveis movimentam atividades como projetos, reformas, instalações, materiais, soluções técnicas, manutenção, avaliação e operação imobiliária. Ele afirma que empresas de diferentes portes podem participar, desde que estejam preparadas para as demandas técnicas e para atuar em parceria com outros agentes.

Projetos exigem especialização e trabalho integrado

Juliana Schützemberger, arquiteta e urbanista, conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR) e integrante da comissão diretiva da EloHabitar, afirma que requalificar vai além de reformar um prédio antigo: o processo busca devolver função e relevância ao imóvel na cidade.

Segundo ela, empresas especializadas podem participar de etapas específicas, sem assumir uma obra inteira. Entre as atividades citadas estão levantamentos, estudos de viabilidade, consultorias, regularização, licenciamento, instalações, impermeabilização, esquadrias e acabamentos.

O arquiteto Carlos Kffuri, responsável pelo escritório que trabalha no projeto do Marco Zero, diz que intervenções em edificações existentes precisam conciliar preservação patrimonial, segurança, viabilidade técnica e funcionalidade contemporânea. Além de arquitetos, esses projetos podem envolver engenheiros estruturais, especialistas em instalações elétricas e hidrossanitárias, prevenção de incêndios, restauração e conservação.

Antigo Hotel Cacique terá uso residencial

Um dos exemplos apresentados é o antigo Hotel Cacique, no Centro de Curitiba, que passa por requalificação para se tornar o Edifício Marco Zero, voltado à locação residencial de longa duração. De acordo com a fonte, a escolha do novo uso considerou estudos técnicos, urbanísticos e econômicos, incluindo condições estruturais, restrições de tombamento e a demanda por moradia na região central.

O projeto arquitetônico está concluído e em análise pelos órgãos responsáveis por aprovações e licenças. André Thiago Losso, do ramo imobiliário, aponta que intervenções em imóveis históricos exigem visão de longo prazo, capacidade financeira e disposição para lidar com processos complexos.

Outro caso é o Edifício Governador Parigot de Souza, que receberá a nova sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR). O projeto prevê a requalificação da estrutura existente, a preservação da fachada original e a incorporação de soluções de engenharia, tecnologia e sustentabilidade.

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