Officina Santa Maria Novella: história e perfumes em Florença
Espaço ligado a um convento dominicano reúne registros de águas aromáticas desde 1381 e foi aberto ao público em 1612.
A Officina Profumo-Farmaceutica di Santa Maria Novella, em Florença, permite acompanhar uma tradição que começou com frades dominicanos em 1221, passou por preparações medicinais e aromáticas e mais tarde incorporou cosméticos e fragrâncias. Segundo a Benarrivati, a sede histórica da Via della Scala segue em atividade e preserva ambientes ligados a diferentes períodos da cidade.
Os dominicanos se estabeleceram no complexo em 1221 e cultivavam um jardim que atendia também às necessidades da enfermaria. O registro confirmado da produção de águas aromáticas, entre elas a Acqua di Rose, é de 1381. Em 1612, a farmácia do convento foi formalmente aberta ao público.
Da botica às fragrâncias
Nos primeiros séculos, ervas, flores e outras matérias-primas vegetais eram usadas sobretudo em preparações medicinais, aromáticas e de higiene. Com o tempo, o conhecimento passou a incluir produtos para cuidado pessoal e perfumaria.
A tradição da Officina associa a Acqua della Regina à partida de Catarina de Médici de Florença, em 1533, quando ela se casou com Henrique de Orléans, futuro Henrique II da França, acompanhada pelo perfumista florentino Renato Bianco. A composição cítrica permanece no catálogo da casa, de acordo com o material divulgado.
Outra preparação é o Pot Pourri, registrado em manuscrito da instituição em 1743. A mistura reúne materiais vegetais e especiarias.
Ambientes históricos na Via della Scala
A sede ocupa parte do antigo complexo de Santa Maria Novella e reúne estruturas ligadas à capela medieval, mobiliário de boticário do século XVIII e elementos decorativos do século XIX. A antiga sacristia da Cappella di San Niccolò foi transformada no século XVII em depósito das chamadas “águas”, produtos destilados de ervas e rosas.
Segundo Antonella Giancoli, responsável pela curadoria italiana da Benarrivati, a visita acrescenta uma dimensão sensorial aos roteiros por Florença. A Officina deixou de ser administrada pelos dominicanos no século XIX e tornou-se uma empresa privada, mantendo sua ligação histórica com a cidade.



