Regra dos 21 dias não define a formação de hábitos

Estudo citado pelo professor Julio Cesar Luchmann encontrou variação de 18 a 254 dias para a automaticidade de comportamentos.

A ideia de que um hábito se torna automático em 21 dias não se aplica a todos os comportamentos. Segundo o professor de neurociência aplicada Julio Cesar Luchmann, a mudança depende das condições em que a atividade é repetida, das características da pessoa e do comportamento que se pretende incorporar à rotina.

Um estudo de Phillippa Lally e colaboradores, publicado no European Journal of Social Psychology, acompanhou a repetição de comportamentos cotidianos e encontrou estimativas entre 18 e 254 dias para a aproximação do nível máximo de automaticidade. A variação observada no modelo do estudo não estabelece um prazo obrigatório para a formação de qualquer hábito.

Na prática, Luchmann sugere transformar intenções amplas em condições mais concretas. Em vez de apenas decidir “ler mais”, por exemplo, a proposta é definir um momento depois de uma atividade recorrente e deixar o livro acessível. Para os estudos, isso pode incluir escolher o conteúdo, estabelecer quando retomá-lo e observar os obstáculos à continuidade.

Repetição e recuperação da informação

O professor também aborda a diferença entre entrar em contato com um conteúdo e conseguir recuperá-lo depois. Uma estratégia apresentada por ele é criar associações entre palavras, números ou objetos e imagens mentais, formando pistas para recordar uma sequência de itens.

Segundo Luchmann, explicar um assunto sem consultar o material pode ajudar a identificar lacunas de compreensão e orientar a prática. Ele ressalta, porém, que uma imagem pode auxiliar na lembrança de um termo, enquanto entender um conceito exige reconhecer suas relações e saber explicá-lo.

Por que lembranças podem divergir

Luchmann afirma que as lembranças têm caráter reconstrutivo: a certeza sobre uma recordação não garante a precisão de todos os detalhes. A discussão é relacionada a pesquisas sobre memória construtiva. Em artigo na revista American Psychologist, Daniel Schacter, da Universidade Harvard, analisa que mecanismos usados para combinar informações e imaginar situações futuras também podem produzir distorções nas lembranças.

Em situações de versões conflitantes, consultar mensagens ou registros feitos na ocasião e perguntar como outra pessoa entendeu o episódio são referências adicionais para esclarecer o que ocorreu, de acordo com o conteúdo apresentado pelo professor.

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