Margens menores no frete exigem cálculo para não virar prejuízo
Segundo a Buzin Transportes, contratos em períodos de menor demanda só podem sustentar expansão se custos e capacidade forem avaliados.
Aceitar margens menores pode ajudar transportadoras a conquistar contratos em períodos de demanda reduzida, mas a estratégia só se sustenta quando a operação cobre seus custos e a empresa tem capacidade para atender o cliente. A avaliação é da Buzin Transportes, que relata usar esse momento para buscar novas rotas e ampliar sua carteira.
O cenário é de pressão sobre os preços do frete. Segundo levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), a defasagem média entre os valores de frete praticados e os custos das operações chegou a 10,5% no primeiro semestre de 2026. O indicador aponta a dificuldade de repassar integralmente os custos aos contratantes, em um mercado com concorrência por preço.
Contrato precisa ter potencial e viabilidade
Para Leonardo Busin, CEO da Buzin Transportes, uma margem menor pode fazer sentido quando há perspectiva de aumento no volume transportado após uma retomada da atividade do cliente. Uma indústria operando abaixo da capacidade, por exemplo, pode elevar sua produção nos meses seguintes e demandar mais transporte nas rotas já atendidas.
Mas a companhia ressalta que conquistar contratos a qualquer preço pode comprometer o caixa. Combustível, manutenção, financiamento de veículos e mão de obra permanecem entre os custos da operação mesmo quando a demanda diminui. Segundo Busin, é necessário conhecer os custos, avaliar o potencial do cliente e ter estrutura para executar o serviço antes de aceitar uma operação.
Diversificação reduz exposição a oscilações
A Buzin também aponta a diversificação de segmentos como uma forma de reduzir a dependência de um único mercado. Historicamente concentrada em cargas siderúrgicas, a empresa informa que ampliou a atuação para outros setores e passou a operar, no fim de 2025, com caminhões-baú voltados ao comércio eletrônico.
De acordo com a transportadora, atender cadeias produtivas diferentes pode compensar parcialmente retrações em determinados mercados. A estratégia, porém, não elimina a necessidade de acompanhar a rentabilidade: ampliar faturamento não significa, por si só, crescimento sustentável.



