Livro sobre TDAH infantil propõe olhar além da biologia
Obra de Luciana Sarkozy, baseada em doutorado pela PUC-SP, será lançada em 14 de novembro em São Paulo.
O livro TDAH em crianças: contribuições da psicanálise de Winnicott, da psicanalista Luciana Sarkozy, propõe discutir o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade considerando, além dos aspectos biológicos, a história de vida, as relações familiares e o ambiente da criança. A obra será lançada em 14 de novembro, às 10h30, na Livraria da Vila, em São Paulo.
Publicado pela Editora Blucher e resultado do doutorado de Sarkozy em Psicologia Clínica pela PUC-SP, o livro tem 408 páginas divididas em oito capítulos. A autora parte das contribuições do pediatra, psiquiatra infantil e psicanalista britânico Donald W. Winnicott para abordar causas, diagnóstico e tratamento do TDAH.
Comportamentos semelhantes podem ter origens distintas
Segundo a autora, agitação, impulsividade e dificuldade de concentração não devem ser tomadas isoladamente como prova de uma doença. A proposta é que esses comportamentos também sejam investigados como possíveis manifestações de sofrimento emocional, sem descartar os avanços da genética e da neurobiologia.
A pesquisa analisa nove casos clínicos de Winnicott. O recorte, descrito como pequeno no material de divulgação, ilustra a hipótese de que crianças com sintomas parecidos podem viver experiências emocionais diferentes e, por isso, precisam de avaliações e cuidados individualizados.
“Nessa perspectiva, a pergunta deixa de ser apenas ‘qual transtorno essa criança tem?’ e passa a incluir outra investigação fundamental: ‘o que essa criança pode estar expressando por meio desse comportamento?’”, afirma Luciana Sarkozy. Para ela, a mudança não significa descartar diagnóstico, genética ou biologia, mas evitar conclusões precipitadas.
Discussão sobre medicação e participação da família
O livro questiona a associação automática entre diagnóstico e medicamento. De acordo com a autora, a medicação pode ajudar a reduzir determinadas manifestações e favorecer a comunicação com a criança, mas não deve ser confundida com cura nem substituir acompanhamento clínico e cuidado familiar quando necessários.
A obra também defende o envolvimento da família no acompanhamento terapêutico, com apoio a mães frequentemente sobrecarregadas e participação ativa dos pais. A autora afirma que a proposta não é atribuir às famílias a culpa pelas dificuldades apresentadas.
O lançamento terá um bate-papo com Luciana Sarkozy, o psicanalista Alfredo Naffah Neto, orientador acadêmico da tese, e o psicanalista Alexandre Patricio de Almeida, que assina o posfácio. O evento será na Livraria da Vila, na rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, em São Paulo.



