Seletividade alimentar no autismo: 10 orientações às famílias
Guia da Autistas Brasil propõe reduzir a pressão nas refeições e apresentar alimentos novos de forma gradual e respeitosa.
Um guia gratuito da Autistas Brasil reúne 10 orientações para famílias de crianças autistas com seletividade alimentar. A publicação recomenda reduzir pressões durante as refeições, manter uma rotina previsível e ampliar o contato com novos alimentos de maneira gradual.
Segundo estudos reunidos no guia Meu filho não come — Entendendo a seletividade alimentar no autismo, entre 23% e 69% das crianças autistas apresentam seletividade alimentar significativa. O material informa que elas podem recusar cerca de 42% dos alimentos oferecidos e ter um repertório médio de aproximadamente 19 itens.
A Autistas Brasil explica que a seletividade pode estar relacionada a diferenças no processamento de sabores, cheiros, texturas, temperaturas e sons durante as refeições. Alterações gastrointestinais, dificuldades de mastigação e a necessidade de previsibilidade também podem influenciar essa relação com a comida.
“A seletividade alimentar não é birra nem falta de educação. Em muitos casos, a criança está reagindo a sensações que podem ser realmente desconfortáveis. O primeiro passo é substituir a pressão por acolhimento, escuta e previsibilidade”, afirma Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil e autor do guia.
Orientações para as refeições
- Criar um ambiente tranquilo, com menos barulhos, luzes fortes, televisão e outros estímulos que possam causar desconforto.
- Manter horários regulares para que a criança possa se preparar para o momento de comer.
- Incluir no prato pelo menos um alimento que a criança já aceite.
- Evitar forçar, chantagear ou punir a criança para que coma.
- Apresentar novos alimentos em etapas: tolerar no prato, olhar, tocar, cheirar ou provar uma pequena quantidade.
- Explorar alimentos fora das refeições, em brincadeiras, atividades culinárias e experiências sensoriais.
- Convidar a criança a participar do preparo, lavando legumes, misturando ingredientes ou ajudando a montar o prato.
- Fazer pontes entre alimentos conhecidos e novos, com formatos, texturas ou sabores semelhantes.
- Oferecer escolhas possíveis, como a cor do prato a ser usado.
- Respeitar recusas e reconhecer contatos como tocar ou cheirar um alimento como avanços no processo.
De acordo com Guilherme de Almeida, o objetivo não é obrigar a criança a comer de tudo, mas ampliar possibilidades com segurança e no ritmo dela. “Cada contato positivo com um alimento pode ser parte do processo, mesmo quando a criança ainda não consegue prová-lo”, explica.
A organização orienta a busca por apoio profissional quando a restrição alimentar comprometer o crescimento, causar perda de peso, deficiências nutricionais, engasgos, vômitos frequentes ou sofrimento intenso. O acompanhamento pode envolver pediatra, nutricionista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, gastroenterologista e psicólogo com abordagem afirmativa da neurodiversidade.



