Dores em usuários de computador chegaram a 95,3% em estudos
Revisão de 25 pesquisas apontou prevalência entre 33,8% e 95,3%; fisioterapeuta cita pausas e ajustes no posto de trabalho.
Uma revisão sistemática publicada na revista científica Heliyon, com análise de 25 estudos internacionais, encontrou prevalência de dores entre 33,8% e 95,3% nas populações de usuários de computador avaliadas. Os sintomas se concentraram no pescoço, na região lombar, nos ombros e na coluna torácica.
Segundo o material divulgado, os distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho não decorrem de um único fator. Uso prolongado do computador, movimentos repetitivos com teclado e mouse e posturas mantidas por longos períodos estão entre os condicionantes citados.
Variação postural é apontada como fator importante
Para Pablo Dutra, fisioterapeuta, educador físico e especialista em Saúde Musculoesquelética e Neurociência da Dor, permanecer estática na mesma posição por muito tempo reduz a circulação sanguínea local e mantém os tecidos sob carga contínua. “A dor cervical e nas costas não é apenas uma consequência do ‘sentar torto’, mas sim da falta de variação postural ao longo do dia”, afirma.
O especialista também relaciona telas abaixo da linha dos olhos, braços sem apoio, pés suspensos e cadeiras sem suporte lombar ao aumento das tensões articulares.
Ajustes citados para o trabalho no computador
Entre as estratégias apresentadas por Dutra estão fazer pausas ativas a cada 45 a 60 minutos, levantando-se, caminhando brevemente e alongando o corpo. Ele recomenda manter o topo do monitor na altura dos olhos, a uma distância equivalente ao comprimento do braço, e deixar os pés apoiados no chão ou em suporte próprio.
O fisioterapeuta orienta ainda apoiar os antebraços na mesa ou nos braços da cadeira, em ângulo próximo a 90 graus, para relaxar os ombros. A prática regular de atividades físicas para fortalecimento da musculatura estabilizadora do core e da coluna também é indicada por ele como parte da prevenção.



