Treino sob estresse: quando reduzir o ritmo e priorizar a recuperação
Fisioterapeuta Selma Cosso aponta sinais de sobrecarga e defende que descanso, sono e movimento façam parte da mesma rotina.
Treinar após um dia difícil pode ajudar a mudar o foco e criar um intervalo entre as pressões do trabalho e a vida pessoal. Mas, segundo a fisioterapeuta integrativa Selma Cosso, o exercício pode se tornar mais uma fonte de cobrança quando a pessoa tenta cumprir a planilha a qualquer custo ou entende o descanso como falta de disciplina.
A especialista, que se apresenta como pesquisadora do movimento e especialista em fisiologia do estresse, afirma que o organismo costuma dar sinais antes de chegar ao limite. Alterações na respiração, tensão muscular, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação constante de urgência podem indicar, segundo ela, um nível elevado de ativação.
Recuperação também integra uma rotina ativa
Para Selma, reconhecer a necessidade de recuperação não equivale a abandonar os exercícios. Em períodos de maior pressão, a ideia de que todo treino precisa terminar em exaustão pode acrescentar sobrecarga a uma prática que deveria compor o cuidado com o corpo.
A fisioterapeuta afirma que pausas não devem ser automaticamente vistas como improdutividade. Segundo ela, alguns minutos de recuperação podem ajudar no retorno às atividades com mais atenção, clareza e capacidade de decisão.
O estresse do dia acompanha o treino
Uma pessoa pode chegar à academia ainda sob os efeitos de um dia marcado por urgências e tensão. De acordo com Selma, o organismo não começa o treino do zero apenas porque o expediente acabou. A exposição prolongada ao estresse pode repercutir sobre sono, concentração, disposição e percepção de bem-estar; dormir mal também pode influenciar como a pessoa chega para se exercitar no dia seguinte.
Planilhas, relógios esportivos, aplicativos e metas podem ser úteis para acompanhar a evolução, mas a especialista alerta que eles também podem reproduzir no exercício uma lógica constante de desempenho. Para ela, uma rotina sustentável considera movimento, sono, recuperação e redução da sobrecarga, em vez de tratar uma sessão de treino como compensação isolada para jornadas exaustivas.



