Saúde do coração deve integrar cuidado oncológico das mulheres
Presidente da SOCERGS defende acompanhamento cardiovascular antes, durante e após o tratamento contra o câncer.
O Outubro Rosa nos convida a refletir sobre a importância da prevenção, da conscientização e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas também é uma oportunidade para ampliar nosso olhar sobre a saúde da mulher.
Recentemente, no Congresso Brasileiro e Mundial de Cardiologia, tive a oportunidade de abordar um tema cada vez mais relevante: as diferenças biológicas entre homens e mulheres no desenvolvimento do câncer, na resposta aos tratamentos e nos riscos de complicações cardiovasculares. Hoje sabemos que fatores hormonais, genéticos, imunológicos e metabólicos podem tornar as mulheres mais vulneráveis a determinados efeitos adversos dos tratamentos oncológicos, incluindo a cardiotoxicidade. Essas diferenças também variam conforme a idade e a fase da vida.
Por isso, as mulheres merecem uma atenção especial, individualizada e integrada, que considere suas particularidades biológicas, a prevenção dos fatores de risco cardiovasculares e o acompanhamento da saúde do coração antes, durante e após o tratamento do câncer.O desafio da cardio-oncologia é justamente permitir que cada paciente receba o melhor tratamento contra o câncer, com o menor impacto cardiovascular possível.
Neste Outubro Rosa, reforçamos uma mensagem essencial: promover o diagnóstico precoce, tratar o câncer com eficácia e preservar a saúde cardiovascular são objetivos que devem caminhar juntos.
O cuidado com a mulher não se resume ao diagnóstico e ao tratamento do câncer. Deve incluir também a proteção do coração, a preservação da qualidade de vida e a atenção à sua saúde em todas as fases da vida.
Dr. André Luís Câmara Galvão
Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS)



