Saúde suplementar: continuidade no cuidado de saúde mental vira desafio para operadoras
Lucas Arthur, da Telavita, defende que operadoras acompanhem a jornada e os desfechos clínicos, não apenas o volume de consultas.
O tema é discutido por Lucas Arthur, COO e cofundador da Telavita, em artigo sobre os desafios das operadoras para organizar a jornada do paciente, do primeiro atendimento ao acompanhamento da evolução clínica. A análise destaca por que o volume de consultas, isoladamente, não permite avaliar a qualidade ou os resultados do cuidado.
Com 53,16 milhões de beneficiários em planos de assistência médica em agosto de 2026, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a saúde suplementar reúne uma parcela expressiva da população brasileira e enfrenta um desafio que vai além de ampliar a oferta de consultas. À medida que a saúde mental ganha espaço na agenda de cuidado, cresce a necessidade de organizar a jornada do paciente, facilitar o acesso ao profissional adequado e acompanhar a evolução ao longo do tratamento. Para as operadoras, a discussão envolve não apenas a disponibilidade de serviços, mas também a continuidade do cuidado e a avaliação dos resultados clínicos.
Na avaliação de Lucas Arthur, COO e cofundador da Telavita, a continuidade é um dos pontos centrais para que o atendimento em saúde mental não se restrinja a consultas isoladas. “O desafio da saúde mental na suplementar deixou de ser apenas a oferta e passou a envolver a continuidade do cuidado. O ponto crítico não é somente a primeira consulta, mas o que acontece nas etapas seguintes do tratamento. Ampliar a rede sem acompanhar essa jornada não garante que o paciente permaneça em atendimento. Uma consulta isolada, por si só, não permite avaliar a evolução clínica nem o impacto do cuidado”, afirma.
Esse cenário coloca a coordenação da jornada no centro da gestão assistencial. Mesmo quando existem serviços disponíveis, o beneficiário pode ter dúvidas sobre qual profissional procurar, como iniciar o acompanhamento ou como dar continuidade ao tratamento. Para as operadoras, acompanhar essas etapas pode ajudar a identificar dificuldades de acesso e adesão, além de oferecer informações para aprimorar a organização dos serviços e a utilização dos recursos disponíveis.
Para Lucas, a mensuração é importante para que a gestão da saúde mental considere a evolução do paciente, e não apenas o volume de atendimentos realizados. “Saúde mental só se qualifica se o desfecho for medido, não presumido. Isso significa utilizar instrumentos clínicos ao longo do tratamento, acompanhar a evolução do paciente e disponibilizar indicadores agregados para a operadora orientar suas decisões, sempre respeitando o sigilo do vínculo terapêutico. Sem essa perspectiva de gestão, a operadora corre o risco de olhar apenas para o volume de atendimentos, sem conseguir avaliar adequadamente o valor assistencial oferecido”, explica.
A continuidade do cuidado também tem implicações para a gestão financeira da saúde suplementar. A avaliação dos resultados clínicos, em conjunto com o acompanhamento da jornada, permite que as operadoras tenham mais elementos para analisar a utilização dos serviços e identificar oportunidades de aprimoramento. “Quando o paciente consegue dar continuidade ao tratamento, a operadora tem melhores condições de acompanhar sua evolução e avaliar os resultados do cuidado. Esse acompanhamento também pode contribuir para decisões mais qualificadas sobre a utilização dos recursos. Por isso, a coordenação da jornada deve ser tratada como um tema de gestão de risco, e não apenas como um benefício”, afirma Lucas.
Nesse contexto, estruturar a jornada de saúde mental significa combinar acesso, continuidade e avaliação dos resultados. É nesse modelo que a Telavita atua junto às operadoras, organizando o percurso dos beneficiários desde a triagem e o direcionamento para psicologia ou psiquiatria até o acompanhamento da evolução clínica, com foco na qualificação do cuidado e no suporte à gestão assistencial.



