Repasse de franquias cresce e exige análise antes da compra
Segundo a ABF, transferências de unidades foram 4% das movimentações do franchising em 2025; casos mostram desafios e resultados distintos.
O repasse de franquias, modalidade em que uma unidade existente é transferida para outra pessoa empreendedora, representou 4,0% das movimentações do franchising em 2025, ante 3,4% em 2024, segundo dados citados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). O formato permite assumir uma operação com estrutura, equipe, processos e, em alguns casos, uma carteira de clientes já formada.
No mesmo ano, o setor de franquias faturou R$ 301,7 bilhões, alta nominal de 10,5%, e encerrou o período com 202.444 operações no país, de acordo com os dados da ABF apresentados no material. Para avaliar uma unidade disponível para repasse, é necessário examinar histórico financeiro, contratos, equipe, ponto comercial, passivos e os motivos da saída do antigo franqueado.
Unidades assumidas por novos franqueados
Em Manaus (AM), Isis de Fátima Bandeira de Melo assumiu, ao lado do sobrinho Victor Bandeira, uma unidade da Calçados Bibi que enfrentava dificuldades. Segundo a empresária, investimentos em divulgação, parcerias com o shopping e acompanhamento da operação levaram a um crescimento de 61% nas vendas nos primeiros nove meses.
A pedagoga Sandra Maria Guimarães assumiu uma unidade da Ensina Mais Turma da Mônica em agosto de 2026. Ela afirma que o desafio inicial é adaptar sua experiência profissional na educação ao modelo de franchising.
Thiago Souto, da Prepara IA, adquiriu três das cinco unidades que administra por repasse. Em uma escola em Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes (PE), ele relata ter reorganizado processos de captação, cobrança e retenção após encontrar inadimplência e dificuldades comerciais. Em pouco mais de dois meses, a unidade registrou resultado quase duas vezes superior ao do mês anterior, segundo o franqueado.
Estrutura existente não elimina os desafios
Rosi Fernandes assumiu duas unidades da Rockfeller Language Center em Santa Catarina durante a pandemia. Segundo ela, as escolas já tinham estrutura e carteira de alunos; atualmente, somam mais de 800 estudantes e faturam cerca de R$ 120 mil por mês.
Estefany Brandão da Silva e Luís Gustavo Araújo Pereira adquiriram por repasse uma unidade da Mundo Verde que, segundo o casal, tinha pouco estoque, equipe desmotivada e baixo fluxo de clientes. Já Dalila Kuster, da Royal Face, expandiu após adquirir por repasse a unidade de Mogi das Cruzes (SP), apoiada na experiência que acumulou como consultora, gerente e assessora da rede.



