Exame de sangue para Alzheimer passa a ser oferecido no Brasil
Teste analisa biomarcadores ligados à doença, mas deve ser avaliado junto a sintomas, histórico e outros dados clínicos.
Um exame de sangue que analisa biomarcadores associados à doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil em outubro de 2026. Segundo informações divulgadas pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) em 19 de outubro, o Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), passou a disponibilizar o teste no dia 15.
O exame avalia substâncias presentes no sangue, entre elas a proteína p-tau217, associada a alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer. A identificação desses biomarcadores, porém, não confirma isoladamente que uma pessoa tenha a doença: os resultados precisam ser interpretados com informações clínicas e, quando necessário, outros exames.
Quando o resultado precisa de avaliação médica
Para Thaís Bento, gerontóloga, docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e parceira científica do Supera, o recurso é complementar e pode ser indicado especialmente quando há alterações cognitivas ou comportamentais.
Segundo a especialista, prejuízos de memória, raciocínio ou funções executivas, mudanças de comportamento e dificuldade em atividades cotidianas que afetem a autonomia são dados considerados na investigação. Ela ressalta que a presença de proteínas no sangue, sobretudo no envelhecimento, não é sinônimo de uma doença neurodegenerativa.
Estimulação cognitiva não equivale à prevenção do Alzheimer
Uma pesquisa publicada em 2026 na revista International Psychogeriatrics, conduzida por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), em colaboração com a EACH-USP e o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do HCFMUSP, avaliou um programa estruturado de estimulação cognitiva em 207 pessoas idosas sem comprometimento cognitivo.
De acordo com o material divulgado, a participação foi associada a melhora aproximada de 45% no desempenho de memória ao longo de um ano, redução de cerca de 60% nas queixas cognitivas e de 29% nos sintomas depressivos. Os achados, no entanto, não demonstraram prevenção do Alzheimer nem que participantes ficaram livres de desenvolver demência.



