Só 34% dos jovens dizem se preparar para o futuro financeiro
Pesquisa do Instituto Locomotiva para a Abrapp ouviu mil pessoas de 18 a 30 anos com renda própria em todas as regiões do Brasil.
Embora 80% dos jovens brasileiros de 18 a 30 anos se preocupem com o futuro financeiro, apenas 34% afirmam estar fazendo algo concreto para se preparar. O dado é de pesquisa do Instituto Locomotiva encomendada pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), apresentada em outubro de 2026, em São Paulo.
O levantamento ouviu 1.000 jovens das classes A, B e C, com renda própria, em todas as regiões do país. Segundo a pesquisa, 65% acreditam que a preparação financeira para a aposentadoria deve começar antes dos 30 anos, mas 60% tomam decisões financeiras considerando um horizonte de até seis meses.
Para metade das pessoas entrevistadas, pensar na aposentadoria gera mais ansiedade do que motivação. Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, avalia que as necessidades imediatas ocupam grande parte das decisões dessa geração, apesar da valorização da autonomia financeira.
Orçamento e dívidas dificultam a formação de reservas
A independência financeira é o principal objetivo para os próximos anos, citada por 39% dos entrevistados. Em seguida aparecem a formação de reserva de emergência, com 36%, e viagens e lazer, com 25%. Guardar dinheiro para a maturidade ficou na sétima posição, mencionado por 19%.
O estudo aponta que 41% não têm recursos sobrando no orçamento ou convivem com dívidas. Só 19% possuem reserva suficiente para cobrir mais de três meses de despesas. Imprevistos frequentes foram citados por 28% como dificuldade para guardar dinheiro; renda insuficiente e endividamento foram mencionados por 26% cada.
Ao projetarem as próximas duas ou três décadas, os receios mais citados foram faltar dinheiro, por 37%, depender financeiramente de outras pessoas, por 27%, e enfrentar problemas de saúde, por 25%.
Previdência privada ainda é pouco conhecida
De acordo com a pesquisa, 65% conhecem pouco ou nada sobre previdência privada; entre jovens de 18 a 23 anos, o percentual chega a 75%. Também há receios sobre mudanças nas regras ao longo do tempo, apontados por 62%, e sobre não conseguir acessar os recursos quando necessário, citados por 50%.
Ainda assim, 48% declararam alta disposição para contribuir para uma solução de previdência nos 12 meses seguintes, se encontrassem uma alternativa adequada à própria realidade financeira. Para 61%, entender que começar a poupar mais cedo pode permitir contribuições mensais menores para buscar a mesma renda futura aumenta o interesse.
Entre os atributos mais valorizados estão poder interromper temporariamente as contribuições sem perder o valor acumulado, com 32%, transparência sobre taxas e custos, também com 32%, e começar com valores baixos, com 31%.
A pesquisa incluiu 1.000 entrevistas digitais por autopreenchimento e seis entrevistas online em profundidade com homens e mulheres de 18 a 30 anos.



