Exame de sangue para recidiva do câncer de mama ainda é experimental
Estudo ALIENOR detectou ctDNA antes da confirmação clínica em pacientes de alto risco, mas uso não orienta tratamento de rotina.
A análise de DNA tumoral circulante (ctDNA) no sangue pode identificar sinais de recidiva do câncer de mama antes da manifestação clínica, mas ainda não deve orientar mudanças de tratamento fora de protocolos de pesquisa. A ressalva é da oncologista Fernanda Moura, do Hospital Sírio-Libanês, ao comentar resultados recentes da tecnologia.
O exame busca pequenos fragmentos de material genético liberados pelas células do tumor. A presença desse material pode indicar doença residual molecular mesmo quando exames convencionais não apontam sinais da doença.
Estudo encontrou sinal antes da recidiva clínica
No estudo ALIENOR, publicado em 2026 na ESMO Open, o ctDNA foi detectado em 25 das 27 pacientes com câncer de mama inicial de alto risco que apresentaram recidiva posteriormente. Segundo o estudo, a identificação molecular ocorreu com antecedência mediana de 13,9 meses em relação à confirmação clínica.
Para Fernanda Moura, o resultado reforça o potencial da biópsia líquida na estratificação prognóstica após tratamento neoadjuvante, especialmente entre pacientes com doença residual. No entanto, a médica afirma que a evidência não justifica o monitoramento seriado de ctDNA na rotina de acompanhamento do câncer de mama inicial.
Segundo ela, ainda é necessário demonstrar se antecipar molecularmente a recidiva pode gerar benefício clínico real a partir de intervenções precoces.
Medicamentos direcionados tiveram indicações ampliadas
O material também destaca os conjugados anticorpo-fármaco, ou ADCs, medicamentos em que um anticorpo reconhece uma proteína nas células tumorais e leva até elas uma substância capaz de destruí-las. Nos seis meses anteriores ao material divulgado, a Anvisa ampliou em duas ocasiões a indicação do trastuzumabe deruxtecana para pacientes com câncer de mama no Brasil.
Em maio, foi aprovado o uso combinado ao pertuzumabe como tratamento de primeira linha para câncer de mama HER2-positivo irressecável ou metastático. Em julho, foi autorizado como tratamento adjuvante para doença invasiva residual após tratamento neoadjuvante, cenário avaliado no estudo DESTINY-Breast05.
Em outro estudo, publicado no New England Journal of Medicine, pacientes com doença HER2-positiva avançada ou metastática que receberam trastuzumabe deruxtecana com pertuzumabe ficaram, em média, 40,7 meses sem progressão, ante 26,9 meses no tratamento padrão. O resultado correspondeu a redução de 44% no risco de progressão ou morte, conforme os dados citados pela fonte.



