Por que bloquear sites de bets não encerra operações ilegais
Segundo pesquisadora do IEA-USP, fiscalização depende de rastrear acesso e pagamentos em uma infraestrutura digital que pode operar fora do país.
Bloquear o endereço de uma plataforma ilegal de apostas não garante o fim de sua operação na internet. Segundo Sílvia Piva, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP), a fiscalização também precisa identificar por quais canais essas empresas chegam ao público e recebem recursos.
O tema ganhou dimensão com os pedidos de bloqueio feitos pelo governo federal: de acordo com o material divulgado pela fonte, foram solicitados bloqueios de 13.241 sites ilegais de apostas desde a entrada em vigor da proibição mencionada no release. Para Piva, o volume evidencia a necessidade de medidas coordenadas contra o mercado ilegal.
Infraestrutura pode mudar mesmo após o bloqueio
A especialista afirma que controlar o acesso a um site no país não equivale a eliminar a atividade da internet. Plataformas podem criar novos endereços e domínios ou alterar a infraestrutura e os canais de acesso, mantendo a possibilidade de alcançar usuárias e usuários.
Segundo a pesquisadora, o funcionamento desses serviços depende de uma infraestrutura digital distribuída entre provedores de nuvem, hospedagem, redes de distribuição de conteúdo, registradores de domínio e intermediários financeiros. Parte desses agentes pode estar submetida a jurisdições de outros países.
“Com o bloqueio, o desafio será identificar operações que eventualmente continuem atuando à margem da fiscalização. Para isso, será preciso rastrear como chegam ao público e por quais canais recebem dinheiro”, afirma Piva.
Cooperação entre diferentes agentes
O Brasil instituiu a modalidade de apostas de quota fixa pela Lei nº 13.756/2018 e ampliou regras de autorização nos anos seguintes, segundo o release. A partir de 2025, o mercado passou a operar sob um regime de autorização federal mais estruturado.
Na avaliação de Piva, a execução das responsabilidades previstas no Brasil depende de cooperação entre agentes técnicos e jurídicos e da capacidade de alcançar diferentes etapas do negócio. A mesma tecnologia que permite a criação de novos acessos, acrescenta a fonte, também pode apoiar o Estado na identificação de atividades online suspeitas.



