Estudo estima até R$ 2,70 evitados em internações por real investido
Análise da Funcional e Prospera modelou custos de tratamentos contínuos e internações evitáveis em dados de planos de saúde.
Um estudo da Funcional em parceria com a Prospera estima que cada R$ 1 investido no subsídio de medicamentos de uso contínuo pode mitigar até R$ 2,70 em exposição a custos de eventos hospitalares graves. A estimativa se refere a doenças crônicas e não representa uma relação de causalidade direta e imediata para cada paciente.
A análise integrou dados assistenciais de 13 operadoras de saúde, reunindo mais de 1,12 milhão de beneficiários, e o histórico de compras de 1,42 milhão de usuários do Benefício Farmácia. Segundo as empresas, o cruzamento entre o histórico de utilização do plano e os padrões de compra em farmácias pode indicar falta de adesão ou interrupção de tratamentos antes de emergências médicas.
De acordo com Ricardo Moraes, diretor médico da Funcional, períodos prolongados de controle inadequado e abandono de medicamentos podem anteceder complicações como amputações, hemodiálise, infartos, AVCs e cirurgias cardíacas. A proposta do modelo é permitir que equipes de saúde identifiquem sinais indiretos e atuem preventivamente.
Simulação considera diabetes e doenças cardiovasculares
Em uma simulação para uma população de 40 mil vidas, o levantamento estimou investimento anual de cerca de R$ 4,2 milhões para subsidiar 50% dos medicamentos contínuos voltados a diabetes e doenças cardiovasculares. Na mesma população, a exposição financeira anual associada a complicações graves decorrentes da progressão dessas doenças foi calculada em aproximadamente R$ 15,3 milhões.
Na amostra, procedimentos hospitalares potencialmente evitáveis corresponderam a cerca de 1,93% dos beneficiários internados e a 3,74% do custo hospitalar acumulado no período. Quase 58% das despesas com internações por essas complicações se concentraram entre beneficiários com mais de 59 anos, segundo o estudo.
Estimativa tem limite de histórico unificado
As empresas informam que o mercado brasileiro não dispõe de uma base histórica única de 10 a 20 anos que acompanhe exatamente a mesma população no plano de saúde e no benefício farmácia. Para contornar essa limitação, o estudo usou estimativas de consumo de medicamentos, custos reais de internações evitáveis segmentados por faixa etária e uma expectativa conservadora para o agravamento de doenças crônicas não tratadas.
Assim, o resultado de R$ 2,70 deve ser lido como uma estimativa analítica de exposição financeira potencialmente mitigável no longo prazo, e não como comprovação de efeito individual imediato.



