Violação de dados custa em média R$ 7,44 milhões no Brasil
Relatório da IBM aponta a saúde como o setor de maior custo médio; dados roubados podem seguir expostos após a recuperação dos sistemas.
Uma violação de dados custa, em média, R$ 7,44 milhões no Brasil, segundo o relatório Cost of a Data Breach, da IBM, divulgado em 15 de outubro. O levantamento analisou incidentes ocorridos entre março de 2025 e fevereiro de 2026 em 602 organizações de diferentes países, incluindo 42 brasileiras.
O valor representa alta de 3,5% em relação ao levantamento anterior e reúne despesas e perdas decorrentes dos incidentes. Na saúde, setor de maior custo médio no país, a cifra chegou a R$ 12,55 milhões por ocorrência. Esses números não correspondem ao preço de venda dos dados subtraídos.
Dados podem continuar sendo explorados
Segundo Daniel Peres, executivo e especialista em cibersegurança, recuperar sistemas após um ataque não significa recuperar o controle das informações roubadas. Dados podem ser usados em extorsões, fraudes ou comercialização ilegal por um período prolongado.
Registros médicos exigem atenção especial porque diagnósticos, históricos de tratamento e condições de saúde permanecem ligados à pessoa, diferentemente de uma senha que pode ser trocada. A exposição indevida pode abrir espaço para constrangimento, discriminação, fraudes direcionadas e tentativas de extorsão.
Contratos, imagens de câmeras de segurança, gravações de reuniões e documentos estratégicos também podem revelar rotinas, negociações e projetos ainda não anunciados. De acordo com Peres, o risco não se limita a invasões externas: credenciais legítimas usadas indevidamente ou comprometidas podem permitir o roubo de arquivos restritos.
Prevenção e obrigações previstas na LGPD
A prevenção envolve identificar os ativos mais sensíveis, limitar permissões conforme cada atividade, monitorar movimentações suspeitas e revisar acessos periodicamente. Criptografia, autenticação multifator e planos de resposta a incidentes também ajudam a reduzir a exposição.
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais estabelece obrigações relacionadas à segurança de registros pessoais. Segundo Lucas Paglia, advogado especialista em direito digital e cibersegurança, diante de um vazamento é preciso avaliar os riscos às pessoas afetadas, as medidas para reduzir danos e o cumprimento dos deveres de prevenção e transparência.



