Dados ambientais ganham papel estratégico na gestão hospitalar
Segundo especialista e relatório da Anahp, indicadores auditáveis podem apoiar hospitais na gestão de riscos, custos e exigências de acreditação.
Hospitais estão levando dados sobre emissões, resíduos, água e energia para a estratégia de gestão, segundo material divulgado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). A proposta é usar indicadores rastreáveis e auditáveis para apoiar a conformidade regulatória, a redução de vulnerabilidades financeiras e a gestão de riscos reputacionais.
Para Roberto Gonzalez, especialista em Governança Corporativa e ESG, integrante do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS) e coordenador do Grupo de Trabalho ESG da Anahp, informações ambientais dispersas e sem rastreabilidade podem gerar impactos financeiros, jurídicos e reputacionais. “No ambiente hospitalar, a capacidade de monitorar resíduos, efluentes, emissões e consumo de recursos naturais deixou de ser apenas uma prática ambiental para se tornar um mecanismo de proteção institucional”, afirma.
Indicadores ambientais e acreditação hospitalar
De acordo com o material, critérios ligados à resiliência climática, à sustentabilidade das cadeias de suprimentos, à gestão de emissões e ao uso eficiente de recursos naturais passaram a integrar processos de acreditação e certificação hospitalar. Nesse contexto, a maturidade da governança ambiental pode influenciar a manutenção de selos de qualidade, a relação com operadoras de saúde, a atração de investimentos e a retenção de talentos.
O texto cita emissões de gases de efeito estufa, consumo hídrico por leito, eficiência energética e rastreabilidade de resíduos como indicadores que podem ser usados na gestão de riscos. Também aponta que o monitoramento contínuo pode ajudar a identificar desperdícios, otimizar o consumo de energia e aperfeiçoar a destinação de resíduos.
Exemplos citados pelo setor
Segundo o relatório ESG da Anahp, o Hospital Santo Amaro, da Fundação José Silveira, reduziu em 23,88% suas emissões de gases de efeito estufa após estruturar uma governança integrada de monitoramento e gestão ambiental. O material apresenta o caso como exemplo de uso de dados para identificar oportunidades de melhoria e direcionar investimentos.
O Hospital Moinhos de Vento também é citado em referência às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Para a fonte, o episódio reforçou a importância de incluir critérios de resiliência nas políticas de gestão e continuidade operacional diante de cenários de crise e interrupções de serviços.



