Volume e tempo de uso dos fones afetam a audição

Referências atribuídas à OMS indicam que o tempo semanal de exposição deve diminuir à medida que a intensidade sonora aumenta.

O risco à audição no uso de fones não depende apenas do volume: a intensidade do som e o tempo de exposição precisam ser considerados juntos. Segundo a otorrinolaringologista Bruna Assis, do Hospital Paulista, exposições repetidas e intensas podem causar perda auditiva induzida por ruído, inclusive com danos permanentes e progressivos.

Como referência, a Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona uma exposição média de 80 decibéis (dB) a até 40 horas por semana. A 90 dB, o período cai para cerca de quatro horas semanais. De acordo com a médica, quanto maior o volume, menor deve ser o tempo de contato com o som — e exposições mais longas pedem intensidade menor.

Referências de ruído e tempo de exposição

O material informa ainda os seguintes parâmetros atribuídos à OMS: 85 dB correspondem a até 12 horas e 30 minutos por semana; 95 dB, a até uma hora e 15 minutos; 100 dB, a até 20 minutos; 105 dB, a até oito minutos; e 110 dB, a até dois minutos e 30 segundos por semana.

Esses valores são referências, não um limite de segurança absoluto, pois o risco pode variar conforme características individuais e a frequência das exposições. A especialista recomenda manter o volume em nível moderado, abaixo de aproximadamente 60% da capacidade do aparelho, além de fazer pausas durante o uso.

Sinais e situações que exigem atenção

Segundo Bruna Assis, zumbido após ouvir música, sensação de ouvido tampado ou abafado, dificuldade para compreender a fala em locais barulhentos e para perceber sons agudos podem surgir antes de uma perda auditiva mais evidente. Se esses sinais forem recorrentes após exposição sonora, a orientação é buscar avaliação profissional.

Shows, festas, festivais, academias e eventos esportivos também podem aumentar a exposição ao ruído, especialmente pela proximidade das caixas de som e pelo tempo no local. Em ambientes muito barulhentos, protetores auriculares adequados podem ajudar, mas não substituem a redução do tempo de exposição e o afastamento da fonte sonora quando possível.

O tipo de fone não é apontado como o principal fator para perda auditiva por ruído; intensidade e duração são mais relevantes. Contudo, a médica afirma que modelos intra-auriculares podem aumentar o risco de infecções da orelha externa, impactação de cerume e eczemas em pessoas predispostas a essas condições.

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