Enamed terá provas em três etapas para alunos de Medicina
Texto aprovado pelo Congresso prevê avaliações ao fim do 2º, 4º e 6º anos; exigência de aprovação depende de sanção presidencial.
O texto aprovado pelo Congresso para o novo formato do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) prevê provas ao final do segundo, quarto e sexto anos da graduação em Medicina. A proposta, que ainda segue para sanção presidencial, estabelece proficiência mínima para a obtenção do registro profissional.
Segundo as regras aprovadas, o resultado final será calculado pelo desempenho acumulado nas três avaliações, com maior peso para a última prova. O nível mínimo de proficiência, os pesos de cada etapa e os critérios de cálculo serão definidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica.
A exigência de aprovação para obter o registro profissional alcança estudantes que ingressaram em Medicina a partir de 19 de junho de 2026. Quem já estava matriculado antes dessa data permanece submetido às regras anteriores.
Avaliações podem orientar apoio durante o curso
Para Juliana Ávila, professora responsável pelo Internato de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), acompanhar o desempenho durante a graduação pode ajudar as instituições a identificar dificuldades enquanto a pessoa ainda está em formação. Segundo ela, os resultados podem orientar ações individualizadas de apoio e o acompanhamento da evolução dos estudantes.
Victor Wichrowski, professor de Medicina do CEUB, avalia que um parâmetro de proficiência pode verificar se o recém-formado reúne conhecimentos esperados para iniciar a profissão. Na avaliação dele, instituições com projetos pedagógicos alinhados às Diretrizes Curriculares Nacionais tendem a enfrentar menos mudanças; outras poderão rever conteúdos e formas de avaliação.
Prova não substitui prática e supervisão
Juliana Ávila ressalta que o resultado de uma prova deve ser considerado junto de outras dimensões da formação médica. De acordo com a professora, conhecimento técnico-científico, comunicação, trabalho em equipe e formação ética e humanizada também integram a preparação profissional.
Ela afirma que estágios e atividades práticas em serviços de saúde, com supervisão qualificada, são fundamentais. Nesse contexto, identificar uma dificuldade na avaliação deve ser o ponto de partida para intervenções e novas oportunidades de aprendizagem.



