Redes sociais exigem mediação para crianças e adolescentes
Neurocientista do Supera orienta famílias a observar conteúdo, rotina e experiências substituídas pelo uso das plataformas.
O uso de redes sociais por crianças e adolescentes deve ser avaliado não apenas pelo tempo de tela, mas também pelo conteúdo acessado e pelas atividades que podem ser deixadas de lado, segundo Lívia Ciacci, neurocientista e especialista do Supera – Estimulação Cognitiva.
Para a especialista, famílias e responsáveis podem observar se o uso digital passa a ocupar momentos de sono, brincadeiras livres, leitura, conversas presenciais e outras experiências da rotina. Ela chama esse processo de efeito de deslocamento e propõe uma pergunta: “o que meu filho deixou de fazer para ficar aqui, e por quanto tempo?”
Conteúdo e contexto também influenciam a experiência digital
De acordo com Ciacci, idade, conteúdo consumido e participação dos adultos fazem diferença na relação com as telas. A especialista afirma que curtidas, notificações e comentários podem estimular a busca por aprovação na adolescência, enquanto a comparação com imagens idealizadas pode afetar a percepção que jovens têm de si mesmos.
Ela acrescenta que, em momentos de vulnerabilidade emocional, a exposição repetida a conteúdos relacionados a inseguranças, conflitos ou sofrimento pode intensificar sentimentos negativos. Por isso, a orientação é que adultos acompanhem mudanças de comportamento e conversem com os jovens sobre o que veem nas plataformas.
Mediação familiar vai além de proibir o celular
Segundo a neurocientista, apenas proibir o acesso não substitui a educação midiática. A proposta é ajudar crianças e adolescentes a compreender mecanismos das plataformas e a reconhecer conteúdos que podem afetar seu bem-estar.
Ciacci também destaca o exemplo dado pelos próprios adultos: o uso constante do celular durante refeições, conversas e momentos em família pode reduzir oportunidades de interação presencial. Em vez de somente retirar o aparelho, ela sugere proteger horários de sono, refeições e brincadeiras e oferecer alternativas de convivência, descoberta e aprendizagem.
Atividades presenciais que envolvam atenção sustentada, memória, raciocínio, desafios e convivência podem ampliar o repertório de experiências dos jovens, afirma a especialista. Para ela, a tecnologia não deve ser tratada como inimiga, mas usada de forma consciente, sem ocupar o espaço de experiências importantes para o desenvolvimento.



