Menopausa pode afetar glicose, colesterol e massa muscular
Estudos citados pela fonte associam a transição menopausal a mudanças cardiometabólicas; acompanhamento deve ser individualizado.
Além de ondas de calor, alterações menstruais e problemas de sono, a transição para a menopausa pode estar associada a mudanças na glicose, no colesterol, na massa muscular e na saúde cardiovascular. Um estudo divulgado em maio de 2026 pela American Heart Association indicou que mulheres nessa transição apresentavam o dobro da probabilidade de ter indicadores cardiovasculares desfavoráveis em comparação com aquelas que mantinham ciclos menstruais regulares.
Segundo Alexandre Duarte, médico e fundador do Instituto Avantgarde, sintomas discretos não excluem a necessidade de uma avaliação individual da saúde metabólica. “É importante entender como está a saúde metabólica dela”, afirma.
Alterações metabólicas podem exigir acompanhamento
De acordo com Duarte, a redução do estrogênio está associada a mudanças na forma como o organismo processa a glicose. Algumas mulheres podem apresentar menor sensibilidade à insulina, hormônio que ajuda o açúcar do sangue a entrar nas células. Quando esse mecanismo perde eficiência, a glicemia pode aumentar; isso não torna o diabetes tipo 2 uma consequência inevitável da menopausa, mas reforça a necessidade de acompanhamento individual.
O perfil lipídico também pode mudar nessa fase. Uma publicação da Sociedade de Cardiologia de São Paulo, de 2025, citada pela fonte, relaciona essas alterações ao possível aumento da gordura visceral e a mudanças na pressão arterial.
Sono e musculatura entram na avaliação
A preservação da massa muscular é outro ponto de atenção, pois a musculatura participa do uso da glicose e da manutenção da capacidade física. Segundo Duarte, exercícios de força, como musculação, e alimentação adequada podem contribuir para esse cuidado.
O sono também integra o quadro. Uma pesquisa da The Menopause Society, publicada em novembro de 2025 com mais de 3.500 mulheres na pós-menopausa, encontrou associação entre dificuldades para dormir, apneia obstrutiva do sono e maior probabilidade de hipertensão.
Na consulta, histórico familiar, sintomas e fatores de risco ajudam o profissional a definir se é necessário avaliar glicemia, colesterol, triglicerídeos, pressão arterial e composição corporal. A terapia hormonal pode ser indicada em situações específicas, mas depende de avaliação médica e não substitui hábitos como atividade física, alimentação equilibrada e atenção ao sono.



