Abrasel prevê alta de custos com o fim da escala 6×1
Presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci afirma que a medida aprovada pelo Senado pode afetar serviços, preços e vínculos de trabalho.
O presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, avalia que a aprovação pelo Senado da PEC que acaba com a escala 6×1 pode elevar custos, reduzir a oferta de serviços e pressionar preços. As projeções e críticas foram apresentadas pela entidade, que representa o setor de bares e restaurantes.
Segundo Solmucci, cerca de 15 milhões de pessoas trabalham atualmente na escala 6×1. Na avaliação dele, para manter a mesma oferta de serviços após a redução de um dia de trabalho, o país precisaria contratar mais 3 milhões de trabalhadores. O dirigente afirma que não haveria mão de obra disponível em quantidade suficiente para essa reposição.
Entidade projeta pressão sobre serviços e preços
De acordo com Solmucci, bares e restaurantes podem fechar um dia adicional por semana diante do aumento de custos ou da falta de profissionais. Ele também citou a preocupação de hospitais com a manutenção dos atendimentos, mencionada por Francisco Balestrin, representante dos hospitais e clínicas de São Paulo, em reunião na Fiesp.
Para os estabelecimentos que optarem por permanecer abertos seis dias por semana, Solmucci estima alta de 20% nos custos para preservar a qualidade dos serviços. Nos condomínios residenciais, a projeção da Abrasel é de aumento entre 18% e 20% nas despesas para manter a mesma estrutura de trabalho. Esses números são estimativas atribuídas à entidade.
O presidente-executivo afirma que o repasse de custos poderia provocar inflação e reduzir o poder de compra, com impacto sobre o consumo em bares e restaurantes. Na opinião dele, esse cenário também elevaria o risco de recessão, em razão da redução da demanda e da possível manutenção de juros altos.
Trabalho por hora é defendido como alternativa
Solmucci defende a aprovação de uma PEC sobre trabalho flexível, que permitiria ao trabalhador escolher entre o regime da CLT e o trabalho por hora. Segundo ele, esse formato daria mais liberdade para definir dias e horários de atuação.
Ao comparar remunerações, o dirigente declarou que o trabalho por hora em bares e restaurantes nos Estados Unidos é pago 60% acima do salário mensal e que, no Brasil, a diferença ficaria entre 30% e 40%. Ele também afirmou que médicos remunerados por hora em outros países podem receber de 30% a 200% mais do que mensalistas. As comparações foram apresentadas por Solmucci, sem detalhamento de período, metodologia ou recortes.



