Cirurgia robótica exige comando e treinamento do cirurgião
Urologista explica o papel da tecnologia em procedimentos para câncer de próstata e tumores renais.
A cirurgia robótica amplia recursos técnicos durante procedimentos, mas não opera de forma autônoma: decisões e movimentos permanecem sob comando do cirurgião, segundo o urologista Ricardo Brandina, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Evangélico de Londrina.
O tema ganha relevância no câncer de próstata. A estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê 77.920 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. De acordo com Brandina, a plataforma oferece visão tridimensional ampliada, maior controle dos instrumentos e movimentos delicados, mas a estratégia adotada em cada etapa é definida pela equipe médica.
Uso da plataforma requer qualificação específica
A cirurgia robótica é considerada um procedimento de alta complexidade pelo Conselho Federal de Medicina. Conforme a regulamentação do CFM, o médico responsável deve ter qualificação na especialidade e treinamento específico para utilizar a plataforma.
Durante a operação, o cirurgião atua em um console e controla instrumentos conectados ao sistema robótico. Segundo o especialista, a imagem ampliada e a reprodução dos movimentos das mãos podem ajudar em áreas anatômicas de difícil acesso, sem substituir conhecimento anatômico, planejamento e capacidade de decisão diante de imprevistos.
Indicação depende das características de cada caso
Entre as aplicações conhecidas está a prostatectomia radical, indicada em determinados casos de câncer de próstata. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em junho de 2026 no periódico International Urology and Nephrology, com 27 estudos e 38.530 pacientes, encontrou menor perda de sangue, menor necessidade de transfusão e menor tempo de internação com a técnica robótica em comparação com a cirurgia aberta.
Brandina ressalta, porém, que a escolha da técnica deve considerar antes a indicação de cirurgia, a extensão da doença e as características da pessoa. No câncer de próstata, anatomia, localização do tumor e estágio da doença também interferem na preservação de estruturas ligadas à continência urinária e à função sexual.
A tecnologia também pode ser empregada em determinados tumores renais. Nesses casos, a possibilidade de retirar apenas a área afetada e preservar o restante do rim depende de fatores como tamanho, localização e profundidade da lesão, além de sua relação com vasos sanguíneos e outras estruturas do órgão, afirma o urologista.



