Menopausa: falta de informação e receio da terapia hormonal marcam cenário latino-americano

Debate promovido pela Abbott no Congresso Mundial da Sociedade Internacional de Menopausa reuniu especialistas para discutir acesso à informação e cuidados individualizados.

A menopausa ocorre, em média, aos 48,6 anos na América Latina, segundo documento da Federação Latino-Americana de Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia (FLASOG) citado pela Abbott. Durante o Congresso Mundial da Sociedade Internacional de Menopausa (IMS), realizado no Rio de Janeiro, a empresa reuniu especialistas de países latino-americanos para discutir informação, sintomas e opções de manejo dessa fase.

De acordo com a Abbott, 65,68% dos profissionais de saúde da região recebem frequentemente consultas relacionadas a sintomas associados à menopausa. A empresa afirma que barreiras socioeconômicas, educacionais, geográficas e culturais influenciam a forma como mulheres vivenciam e compreendem esse período.

Informação ainda é limitada

Segundo uma pesquisa global da Ipsos realizada em 2022 com 23.008 adultos de 33 países, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, menos da metade dos adultos na maioria desses países se considera bem informada sobre menopausa. A Abbott também cita dados de uma coletiva de imprensa organizada no âmbito do congresso segundo os quais 77% das mulheres com sintomas não recebem uma consulta efetiva.

Um estudo publicado na PLOS One em 2025, citado no material, apontou que quase nove em cada dez mulheres tinham pouco ou nenhum conhecimento sobre terapia hormonal. A empresa informa ainda que 75% das mulheres na América Latina têm receio desse tratamento.

Sintomas e decisão clínica

A transição menopausal pode envolver mais de 40 sintomas, conforme referências reunidas pela Abbott, entre eles fogachos, suores noturnos, alterações do sono, mudanças de humor, dificuldades de memória e concentração, dores articulares e sintomas urinários e sexuais. Uma meta-análise de 2008 citada pela empresa indica que os sintomas vasomotores podem durar de 10 a 12 anos.

Estudo com mais de 2.035 mulheres de 12 países latino-americanos, também citado no material, encontrou associação entre maior gravidade dos sintomas, menor desempenho profissional e pior qualidade de vida relacionada ao trabalho. Segundo a Abbott, a discussão sobre terapia hormonal deve considerar benefícios e riscos conforme idade, momento da menopausa, histórico clínico e necessidades individuais.

O diretor médico regional da área de Farmacêuticos Estabelecidos da Abbott, Álvaro Rojas, afirmou que informações científicas e alternativas disponíveis devem integrar uma conversa aberta entre cada mulher e profissionais de saúde. A empresa ressalta que a terapia hormonal requer avaliação médica individualizada, sem medo generalizado nem uso indiscriminado.

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