Planejamento para 2027 deve começar pela análise de mercado, dizem especialistas
Diagnóstico de clientes, concorrência e hipóteses do negócio pode orientar metas, investimentos e prioridades das empresas.
Antes de definir metas, orçamentos e investimentos para 2027, empresas precisam revisar se as condições que orientaram decisões anteriores ainda se mantêm, segundo Juliana Saboia, mestre em Administração e cofundadora da Palco Inteligência de Negócios. Para ela, a análise do mercado deve anteceder a projeção de crescimento.
“Estabelecer objetivos sem considerar as transformações do ambiente competitivo pode levar empresas a direcionar recursos para oportunidades que já não correspondem à realidade do mercado”, afirma Juliana. Segundo a especialista, metas são consequência do diagnóstico sobre o terreno em que a empresa pretende atuar.
A busca por novas frentes de crescimento aparece nas prioridades das organizações. De acordo com a pesquisa Agenda de Negócios 2025, da Deloitte, realizada com 402 empresas no Brasil, 85% dos participantes apontaram o lançamento de produtos ou serviços entre as prioridades de investimento em inovação. Um terço também informou que atuar em outros setores ou inaugurar atividades integra sua estratégia.
Clientes e concorrência no planejamento
Segundo Mariana da Rosa, doutora em Administração e cofundadora da Palco Inteligência de Negócios, o planejamento deve considerar alterações nas prioridades dos consumidores, nos critérios de escolha, nos hábitos de compra e na percepção de valor. Essas informações podem indicar necessidades emergentes, expectativas modificadas e demandas que perderam relevância.
A análise também precisa incluir concorrentes que disputam o mesmo cliente, orçamento ou necessidade, inclusive quando atuam com modelos de negócio distintos, afirma Mariana. De acordo com a 29ª CEO Survey da PwC, divulgada em 2026, 51% dos CEOs brasileiros disseram que suas empresas passaram a competir em novos setores nos cinco anos anteriores; a média global foi de 42%.
Pesquisa para testar hipóteses
Para as especialistas, pesquisas de mercado podem ajudar a testar hipóteses antes que se transformem em investimentos, lançamentos ou expansões. O trabalho pode abranger perfil e necessidades de clientes, percepção de marca, posicionamento frente à concorrência, sensibilidade a preços e potencial de um mercado específico.
Mariana destaca que a pesquisa não serve apenas para confirmar ideias internas: ela pode apontar que uma hipótese está errada ou revelar uma oportunidade ainda não considerada. Juliana recomenda revisar as premissas usadas nas decisões de 2026, identificar quais foram confirmadas pelos resultados e separar suposições de evidências.
Segundo Juliana, o processo também exige escolher poucas prioridades e explicitar o que não será feito. A definição de metas, assim, pode ser sustentada por uma leitura atualizada de clientes, concorrência e condições de mercado.



