Estudo analisa 104 mil internações por câncer de mama e aponta impacto da metástase
Levantamento da Plataforma DRG Brasil reúne altas de 2021 a junho de 2026 e não mede incidência da doença na população.
Um levantamento da Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, do Grupo IAG Saúde, analisou 104.049 internações cujo diagnóstico principal foi câncer de mama. Segundo a empresa, as altas ocorreram entre janeiro de 2021 e junho de 2026, em hospitais públicos e privados participantes de todas as regiões do país.
Os dados não estimam quantas pessoas têm câncer de mama no Brasil, nem a incidência da doença. De acordo com o Grupo IAG Saúde, o recorte descreve o que ocorre quando o câncer de mama leva pacientes ao hospital, incluindo idade, tempo de internação, desfechos e custos assistenciais previstos.
Internações e perfil etário
Segundo a Plataforma DRG Brasil, o câncer de mama respondeu por 10,1 a cada mil internações no primeiro semestre de 2026, ante 9,0 a cada mil no mesmo período de 2025. A proporção era de 9,4 por mil em 2025; como o número de hospitais participantes varia ao longo dos anos, o levantamento usa essa medida proporcional.
A idade média das pacientes internadas foi de 56 anos. De acordo com os dados, 35,8% das internações foram de pessoas entre 18 e 49 anos, 24,5% entre 50 e 59 anos, 22% entre 60 e 69 anos, 12,8% entre 70 e 79 anos e 4,8% entre pessoas com 80 anos ou mais. Pacientes do sexo masculino corresponderam a 0,8% das internações.
O estudo não permite concluir que a doença esteja aumentando entre mulheres mais jovens. “Ele mostra, porém, que a doença tem peso real também antes dos 50 anos”, afirmou Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde.
Metástase esteve associada a internações mais graves
Segundo o levantamento, a permanência média foi de dois dias e a mortalidade ocorrida durante a internação foi de 3,9% no período. Esses óbitos não equivalem à taxa de mortalidade por câncer de mama, pois consideram apenas mortes durante a hospitalização.
Casos com metástase representaram 6,7% das internações. De acordo com a Plataforma DRG Brasil, nesse grupo a mortalidade hospitalar foi de 31,2%, ante 1,9% entre pacientes sem metástase; a estadia média foi de 6,9 dias, contra 1,6 dia. A metástase foi identificada por códigos CID-10 C77 a C79 registrados como diagnósticos secundários.
O Grupo IAG Saúde ressalta que os resultados mostram associação, sem estabelecer uma causa única para os desfechos. O estudo é observacional, descritivo e retrospectivo, baseado em internações com câncer de mama (CID-10 C50) como diagnóstico principal.



