16ª Jornada de Fonoaudiologia destaca cuidado interdisciplinar para a pessoa idosa

Evento discute prevenção, diagnóstico precoce e estratégias para preservar autonomia e qualidade de vida no envelhecimento

Dificuldades para engolir, alterações na memória e perda auditiva podem comprometer a alimentação, a comunicação e a convivência social de pessoas idosas. Embora frequentemente associadas ao avanço da idade, essas condições precisam de avaliação profissional e, em muitos casos, de intervenção especializada. O tema está em discussão na 16ª Jornada de Fonoaudiologia da Unoeste, que ocorre de 14 a 16 de outubro, com atividades voltadas aos desafios do envelhecimento e ao cuidado integral à pessoa idosa.

A programação reúne profissionais de diferentes áreas da saúde em rodas de conversa no Teatro César Cava, com o objetivo de aproximar conhecimentos e experiências sobre situações presentes na rotina de atendimento à população idosa. O primeiro dia abordou “Envelhecimento, Linguagem e Deglutição: um Olhar Interdisciplinar sobre o Cuidado à Pessoa Idosa”.

De acordo com a coordenadora do curso de Fonoaudiologia, professora doutora Sandra Silva Lustosa Dearo, a atenção especializada é fundamental porque comunicar-se e alimentar-se são necessidades básicas que podem ser diretamente afetadas pelo envelhecimento. “Cuidar da saúde fonoaudiológica do idoso não é apenas tratar uma alteração física, mas garantir a manutenção da sua dignidade, autonomia e qualidade de vida ao longo do processo de envelhecimento”, afirma.

Entre as principais demandas da Fonoaudiologia está a disfagia, caracterizada pela dificuldade de engolir, que pode provocar complicações graves como desnutrição, desidratação e pneumonias aspirativas. O acompanhamento profissional busca tornar a alimentação mais segura e reduzir riscos à saúde.

Na comunicação, o trabalho envolve alterações de linguagem e cognição, quadros demenciais como a doença de Alzheimer e sequelas de acidentes vasculares cerebrais (AVCs). A presbiacusia, perda auditiva relacionada à idade, pode dificultar as conversas e reduzir a participação em atividades sociais.

Sandra destaca a importância de não naturalizar esses sinais. “Dificuldades de fala, memória, audição ou deglutição não devem ser consideradas apenas consequências naturais do envelhecimento. Essas alterações precisam ser avaliadas de forma adequada por profissionais de saúde”, ressalta.

A prevenção, intervenção precoce e orientação a familiares e cuidadores fazem parte desse cuidado, que considera a história de cada pessoa e os efeitos das alterações na rotina, nas relações e na independência.

A saúde auditiva tem papel importante na conexão com familiares e outras pessoas. Quando a perda auditiva dificulta a compreensão das conversas, o idoso pode se afastar do convívio social. A reabilitação busca favorecer a comunicação e a participação nas atividades cotidianas.

A linguagem também está relacionada à autonomia, pois compreender informações e expressar vontades permite participar de decisões sobre a própria vida. Na alimentação, a reabilitação da deglutição procura oferecer mais segurança sem desconsiderar o prazer e o significado afetivo das refeições.

Nos cuidados paliativos, a atuação fonoaudiológica se volta ao conforto, alívio do sofrimento e preservação da dignidade, mantendo formas funcionais de comunicação entre paciente, família e equipe de saúde, além de adaptar a alimentação conforme as condições e desejos da pessoa atendida.

“Buscamos manter vias de comunicação funcionais entre o paciente, a família e a equipe, além de proporcionar prazer alimentar de forma segura e adaptada enquanto for possível, respeitando sempre os desejos e limites de cada pessoa”, explica Sandra.

A programação da Jornada propõe a discussão conjunta de diferentes especialidades para mostrar como as necessidades da pessoa idosa se relacionam. Uma alteração na deglutição, por exemplo, pode exigir acompanhamento fonoaudiológico, avaliação médica e orientação nutricional, considerando também possíveis efeitos dos medicamentos utilizados.

Segundo Sandra, essa integração evita atendimento fragmentado e favorece decisões mais completas. Na formação acadêmica, o contato com profissionais de diferentes áreas amplia a compreensão dos estudantes sobre o trabalho colaborativo, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto no setor privado.

A coordenadora espera que o encontro contribua para uma atuação técnica e humanizada, baseada em evidências científicas e no respeito à trajetória de cada paciente, ampliando a compreensão de que envelhecer não significa necessariamente perder qualidade de vida ou aceitar limitações sem buscar avaliação e acompanhamento.

Programação

  • 15 de outubro: “Saúde Auditiva da Pessoa Idosa: uma Abordagem Interdisciplinar”
  • 16 de outubro: “Cuidar Além da Cura: Cuidados Paliativos e Interdisciplinaridade na Pessoa Idosa”
👁️ 18 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar