Medo de errar pode fazer crianças evitarem desafios. Veja como ajudá-las

Entenda como a reação dos adultos aos erros influencia a forma como as crianças enfrentam dificuldades na aprendizagem, segundo especialistas e pesquisas recentes.

Pesquisas recentes investigam a relação entre a reação dos adultos aos erros e a maneira como as crianças enfrentam dificuldades na aprendizagem. Segundo Vanessa Moschetti, fundadora e diretora da St. John’s International School, o medo de errar pode levar crianças a evitar desafios, desistir ou se frustrar diante de dificuldades, e isso está mais relacionado à forma como o erro é interpretado do que ao erro em si.

Vanessa explica que é importante entender o que está por trás do erro antes de apresentar uma solução. A criança pode não ter compreendido uma instrução, precisar de mais tempo para assimilar um conteúdo ou estar desenvolvendo uma habilidade. Identificar essa diferença permite oferecer o apoio adequado sem transformar uma dificuldade pontual em um julgamento sobre sua capacidade.

Um estudo publicado em 2024 no British Journal of Educational Psychology analisou interações de 231 crianças de oito anos com suas mães e mostrou que reconhecer as emoções da criança e conversar sobre maneiras de enfrentar dificuldades está associado a um menor medo de falhar. Vanessa ressalta que, por se tratar de uma análise de associações, o estudo não permite afirmar que uma forma específica de conversa seja isoladamente responsável por esse resultado.

Outra pesquisa, publicada em 2026 na revista Learning and Individual Differences, com 473 crianças chinesas, identificou diferentes perfis de reação aos erros e observou associações entre atitudes parentais relacionadas ao fracasso, comparação social e formas menos adaptativas de lidar com as falhas. O trabalho reforça a importância de considerar não apenas o desempenho escolar, mas também como as crianças interpretam suas dificuldades.

“Na prática, isso não significa deixar de corrigir ou exigir dedicação. O desafio é fazer com que a correção ajude a criança a compreender o que precisa melhorar, em vez de aumentar o receio de tentar novamente”, pondera Vanessa.

Como os pais podem ajudar

  • Entender o que aconteceu: perguntar como a criança chegou à resposta e em que momento sentiu dificuldade, antes de explicar a solução.
  • Evitar comparações: o desempenho de irmãos e colegas não deve ser usado como medida do potencial individual.
  • Incentivar novas tentativas: ajudar a criança a pensar em outras estratégias, sem assumir a tarefa por ela.
  • Separar o erro da capacidade: mostrar que não conseguir realizar algo naquele momento não significa ser incapaz de aprender.
  • Reconhecer o progresso: observar o que a criança já consegue fazer e quais avanços apresentou, mesmo quando o resultado ainda não é o esperado.

Vanessa destaca que a escola também tem um papel importante ao oferecer desafios compatíveis com o estágio de aprendizagem de cada aluno e utilizar os erros para identificar dúvidas e orientar o ensino. “Quando a criança encontra espaço para perguntar, rever respostas e pedir ajuda, pode desenvolver uma relação mais produtiva com as dificuldades. O objetivo não é eliminar a frustração, mas ajudar a criança a lidar com ela sem desistir diante do primeiro obstáculo. Aprender envolve reconhecer limites momentâneos, testar alternativas e compreender que uma resposta incorreta pode indicar o que precisa ser trabalhado a seguir”, conclui.

Sobre a St. John’s

Com 20 anos de trajetória no Brasil, a St. John’s é referência em educação internacional trilíngue, com alunos de 18 meses a 17 anos. A instituição desenvolve metodologia própria com base em padrões acadêmicos britânicos e prepara estudantes para universidades e carreiras globais, aliando rigor acadêmico, formação humanista e visão internacional.

Vanessa Moschetti, fundadora e diretora da escola, é graduada em Direito, Pedagogia e Linguística, mestre em Educação Internacional, com extensão em Literatura Britânica. Possui certificações internacionais em língua inglesa, é examinadora licenciada e especialista em desenvolvimento curricular. Ela é idealizadora do desenvolvimento do IELS (International English Learning System), um modelo educacional estruturado internacionalmente, criado na Inglaterra e aplicado globalmente. Com forte foco em educação internacional, liderança e inovação, lidera a expansão de um modelo acadêmico sistêmico e trilíngue que integra os currículos do IB, de Cambridge e do Poliedro (nacional).

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