Estudo brasileiro investiga relação entre obesidade e tumores mamários em cadelas

Pesquisa da UFU aponta que 70% das cadelas com tumores mamários estavam acima do peso, reforçando a importância do controle alimentar para prevenção e suporte ao tratamento

Um estudo brasileiro realizado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) analisou 600 cadelas diagnosticadas com tumores mamários, das quais 70,2% apresentavam sobrepeso ou obesidade, segundo pesquisa publicada no Austral Journal of Veterinary Sciences. A investigação avaliou a condição corporal das cadelas, classificadas entre muito magras, peso ideal, sobrepeso e obesidade, e encontrou associação do excesso de peso com tumores de grau histológico II.

Embora os pesquisadores não tenham encontrado relação direta entre obesidade e malignidade, estágio ou metástase, os resultados reforçam a importância da alimentação e manutenção do peso adequado no risco e evolução dos tumores em cães e gatos, conforme destacado por Gabriela Corte Real, veterinária da foodtech A Quinta Pet.

De acordo com Gabriela, a obesidade provoca alterações metabólicas e um estado inflamatório crônico, e controlar a quantidade de calorias e oferecer uma dieta equilibrada são medidas que ajudam a manter a condição corporal saudável, fator investigado na oncologia veterinária.

Uma revisão científica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, publicada em 2025, explica que o tecido adiposo em excesso está relacionado a alterações metabólicas, hormonais e à produção de mediadores inflamatórios, criando um estado de inflamação crônica de baixo grau, possível conexão entre obesidade e desenvolvimento de tumores.

Cuidados diários para tutores

Gabriela ressalta que a dieta deve fornecer nutrientes nas proporções adequadas para espécie, idade, porte, nível de atividade e condições de saúde do pet, além de controlar a quantidade para evitar ganho de peso. Petiscos e alimentos extras devem representar no máximo 10% das calorias diárias, conforme diretrizes da American Animal Hospital Association (AAHA).

Alimentação durante o tratamento oncológico

As Diretrizes de Oncologia 2026 da AAHA recomendam alimentação individualizada para animais com câncer, considerando diagnóstico e necessidades nutricionais. Gabriela destaca que dietas com maior aporte proteico ajudam a preservar massa muscular e condição corporal, além de considerar textura e palatabilidade para animais com apetite reduzido.

A veterinária também menciona o desenvolvimento de dietas específicas para suporte nutricional durante o tratamento oncológico, que favorecem síntese proteica, cicatrização e resposta imunológica, sempre com orientação veterinária.

Identificação precoce dos tumores

Além da alimentação, tutores podem ajudar na detecção precoce dos tumores mamários ao apalpar delicadamente as cadeias mamárias do animal durante momentos de carinho ou higiene, observando nódulos, endurecimentos, vermelhidão ou secreções. A palpação não substitui o exame veterinário, e qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional.

👁️ 19 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar