Dia Mundial de Combate à Dor destaca riscos da automedicação entre idosos
Uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios pode mascarar causas da dor e atrasar diagnóstico, alerta especialista
Com a proximidade do Dia Mundial de Combate à Dor, celebrado em 17 de outubro, um dado preocupante chama a atenção: cerca de 40% dos adultos brasileiros convivem com dor crônica, segundo nota técnica do Ministério da Saúde de 2024. Entre pessoas com 50 anos ou mais, 36,9% relataram dor recorrente, conforme estudo do ELSI-Brasil publicado em 2023.
O uso frequente e sem orientação médica de analgésicos e anti-inflamatórios, especialmente entre idosos, é um alerta importante. Embora esses medicamentos possam aliviar o desconforto momentaneamente, eles podem mascarar a evolução de doenças como artrose e artrite, atrasando a investigação da causa da dor, destaca o Dr. Leandro Miranda, especialista em Medicina da Dor pela USP.
Segundo o especialista, um dos erros comuns no tratamento da dor crônica é esperar que um único procedimento ou medicamento resolva o problema. “A redução temporária da dor não significa que a causa foi tratada”, afirma Dr. Leandro, que também é membro da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET) e da International Association for the Study of Pain (IASP).
Ele ressalta que o acompanhamento deve considerar fatores como sono, alimentação, atividade física e outras condições de saúde, podendo envolver diferentes estratégias e profissionais. “Medicamentos podem fazer parte do tratamento quando indicados, mas não devem substituir a investigação da causa nem o acompanhamento clínico regular”, explica.
A dor é reconhecida desde 1996 como o quinto sinal vital, ao lado da temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória. Avaliar a frequência, intensidade e impacto da dor na rotina é fundamental para um diagnóstico adequado.
Dr. Leandro desenvolveu o método Ever Living, que integra medicina regenerativa e integrativa em quatro fases: restauração, sustentação, lapidação e manutenção. O tratamento é personalizado, considerando as necessidades de cada paciente, como no caso da artrose, que pode envolver redução de peso e fortalecimento muscular.
O especialista alerta que a dor não deve ser encarada como consequência natural do envelhecimento. Quando persistente e interferindo na qualidade de vida, é essencial buscar avaliação médica para identificar a causa e definir um tratamento eficaz, visando preservar mobilidade, autonomia e bem-estar.



