Hobbies analógicos ganham espaço contra a fadiga digital

Cerâmica, pintura e bordado atraem quem busca desacelerar e se conectar com o real

Em meio à rotina marcada por notificações constantes e horas diante das telas, cresce o interesse por hobbies analógicos que exigem presença, tempo e contato com materiais físicos. Ateliês de cerâmica, pintura, bordado e crochê têm atraído pessoas que buscam uma experiência mais lenta e distante da lógica digital.

Conexão com o real e desaceleração

Cristina Susigan, docente do curso de Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina, explica que esse movimento reúne diferentes motivações. “Em primeiro lugar, conectar-se com o real, aproximar-se de uma materialidade de que se goste e criar uma ‘fuga’ do estresse”, afirma. Para ela, a cultura acelerada dos “likes” e da busca pela perfeição nas redes sociais torna o retorno ao analógico uma forma de desacelerar e ter tempo para si mesmo, sem pressa.

Segundo dados do IBGE, em 2025, 90,5% dos brasileiros com 10 anos ou mais utilizaram a internet. Paralelamente, uma pesquisa da Pluxee apontou que 67% dos entrevistados já reduziram o uso ou desativaram contas em redes sociais, e 43% desses relataram ter ganhado mais tempo para hobbies e lazer.

Espaços de convivência e troca

Além do contato com materiais, os ateliês também funcionam como espaços de convivência. Cristina destaca que essas atividades criam um lugar de pertencimento e acolhimento, onde há troca não apenas de saberes artísticos, mas de experiências de vida. Conversas sobre pintura, por exemplo, podem levar a indicações de exposições, livros e novas referências culturais, fortalecendo vínculos entre os participantes.

Pesquisa sobre bem-estar e atividades manuais

Um estudo publicado em 2024 no jornal especializado Frontiers in Public Health, com mais de 7 mil adultos, encontrou associação entre a prática de atividades artísticas e manuais e maiores níveis de satisfação com a vida, felicidade e sensação de propósito. Contudo, por se tratar de um estudo observacional, os resultados não estabelecem relação direta de causa e efeito.

Cristina ressalta que ainda é cedo para afirmar se essa retomada do analógico representa uma mudança cultural duradoura ou apenas uma nostalgia estética. Muitos jovens interessados nessas práticas sequer viveram o período ao qual essas atividades são frequentemente associadas, indicando uma busca por algo palpável que vai além do virtual.

Por enquanto, a expansão dos hobbies analógicos parece refletir um desejo contemporâneo de recuperar experiências marcadas por tempo, matéria, atenção e encontro, em meio à velocidade das telas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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