Fim das bets não encerra impactos do vício em jogos
Especialistas alertam para abstinência, dívidas e sofrimento emocional após suspensão das apostas
A Medida Provisória 1.394, assinada em 25 de setembro, encerrou a operação das casas de apostas no Brasil, mas o fim do acesso às bets não significa o fim dos impactos do vício em jogos. Segundo dados do Boletim Fiscal dos Estados, divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as apostas em 2025.
Além disso, o governo federal aponta que, entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%. O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima que os danos à saúde provocados pelas apostas online custam ao Sistema Único de Saúde cerca de R$ 30,6 bilhões por ano.
O que acontece depois da proibição
Caroline Macarini, psicóloga e cofundadora da plataforma de saúde mental Unolife, explica que a interrupção das apostas pode abrir uma fase delicada para quem usava o jogo como parte da rotina. “A aposta ocupava um espaço na rotina dessas pessoas. Quando esse espaço fica vazio, aparece uma inquietação que elas não sabem o que fazer com ela, e junto vem a vergonha de olhar para trás e ver o quanto perderam. É um momento de muita solidão, porque é também quando a família costuma estar mais cansada e menos disponível para acolher”, afirma.
Profissionais de saúde observam sinais como desesperança, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas próximas, alterações no sono e no humor, aumento do consumo de álcool e conflitos familiares entre apostadores de todas as idades.
Saúde mental e desafios financeiros
O vício em apostas geralmente envolve duas frentes interligadas: sofrimento emocional e desorganização financeira. Dívidas, cobranças e desgaste nas relações familiares dificultam a busca por ajuda. Caroline destaca que “a proibição interrompe o acesso, mas ninguém sai desse ciclo sozinho e do dia para a noite. O que decide o que vem depois é ter para onde ir, e isso precisa estar ao alcance de quem está sem dinheiro justamente por causa do jogo”.
Impactos no ambiente de trabalho
Com a implementação da NR-1 e a obrigatoriedade da gestão de riscos psicossociais, o endividamento e o sofrimento emocional relacionados ao vício em apostas passaram a ser temas de saúde ocupacional. No ambiente profissional, esses problemas podem se manifestar por meio de queda de desempenho, atrasos, pedidos de adiantamento e irritabilidade.
O cuidado nesse contexto exige equilíbrio entre acompanhamento e privacidade: as empresas devem monitorar a adesão a programas de apoio, mas sem acesso à identidade dos usuários ou ao conteúdo das sessões.
Para quem enfrenta sofrimento intenso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e 24 horas pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br. Em casos de emergência, a recomendação é procurar o hospital mais próximo.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



