Mounjaro supera Ozempic e domina 70% do mercado de GLP-1 no Brasil
Evento revela mudança expressiva na liderança e perfil dos usuários de medicamentos para emagrecimento e diabetes
Virada no mercado de GLP-1
O mercado brasileiro de medicamentos da categoria GLP-1 passou por uma transformação significativa, com o Mounjaro assumindo a liderança e o Ozempic perdendo espaço rapidamente. Dados apresentados pela consultoria IQVIA na 4ª edição do Temp Log Xperience, realizada em 17 de setembro em São Paulo, indicam que o Mounjaro concentra atualmente 76% da demanda da categoria, enquanto o Ozempic, que detinha 73% do mercado em 2022, caiu para 13%.
O Mounjaro também lidera o ranking dos medicamentos mais vendidos no país, com faturamento de R$ 6,8 bilhões. A IQVIA, que monitora 98% das vendas farmacêuticas nacionais, classificou essa mudança como uma “virada brutal, não gradual”.
Expansão acelerada do segmento
O segmento de análogos de GLP-1 quase quintuplicou em valor nos últimos cinco anos, passando de R$ 2 bilhões para R$ 9 bilhões, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 44%. Segundo os dados apresentados, sem a presença desses medicamentos voltados ao emagrecimento, o crescimento do varejo farmacêutico em 2026 seria 4,9 pontos percentuais menor.
Esse avanço explica a crescente associação das canetas injetáveis a tratamentos para diabetes, emagrecimento e procedimentos estéticos, embora o público consumidor apresente perfis variados.
Perfis e motivações dos usuários
Uma pesquisa inédita realizada com 432 usuários de canetas injetáveis entre fevereiro e março deste ano revelou que consumidores de marcas como Mounjaro e Ozempic combinam motivações clínicas e estéticas, buscando tratar diabetes, emagrecer e realizar procedimentos relacionados à beleza.
Por outro lado, os usuários de versões manipuladas tendem a ter motivações mais comportamentais e corporais, como o controle da compulsão alimentar e a redução de gordura visceral, chegando ao produto com menor intermediação médica do que se supunha.
Desafios na adesão ao tratamento
Apesar do crescimento do mercado, a permanência no tratamento é um desafio: apenas 16% dos pacientes continuam o uso após 11 meses, independentemente da marca. Esse dado indica a necessidade de acompanhamento profissional contínuo para garantir a eficácia e segurança do tratamento.
Além disso, metade dos participantes relatou mudanças nos hábitos alimentares, abandonando categorias como fast food (51%), açúcar de mesa (50%) e doces e chocolates (48%), o que pode impactar a indústria alimentícia e de bebidas nos próximos anos.
Discussões sobre o setor e reforma tributária
O Temp Log Xperience também abordou a Reforma Tributária e seus efeitos práticos para o setor farmacêutico. A cobrança efetiva das novas regras começa em 2027, com redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS para fármacos registrados na Anvisa, incluindo os produzidos por estabelecimentos de manipulação, e alíquota zero para linhas terapêuticas específicas. Essas mudanças impactarão precificação, contratos, rebates e a estrutura de créditos tributários ao longo da cadeia.
Ricardo Canteras, diretor Comercial e de Operações da Temp Log, destacou a relevância das métricas apresentadas, que oferecem insights profundos sobre o comportamento dos usuários e o impacto dos GLP-1 na saúde.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



