Alzheimer: exames ampliam precisão do diagnóstico

Imagem molecular permite visualizar alterações associadas ao Alzheimer e ganha importância com a chegada de tratamentos direcionados

O diagnóstico da doença de Alzheimer está passando por uma transformação significativa com o avanço da Medicina Nuclear, que permite visualizar, em vida, alterações moleculares características da doença no cérebro. Essa evolução é impulsionada pelo desenvolvimento dos biomarcadores e da imagem molecular, que ampliam a precisão diagnóstica e auxiliam na diferenciação do Alzheimer de outras doenças neurodegenerativas.

Essa inovação é especialmente relevante para pacientes e familiares que observam sinais como perda de memória, alterações cognitivas e mudanças comportamentais. No entanto, é importante destacar que esses exames não substituem a avaliação clínica completa realizada por profissionais de saúde.

Contribuições da Medicina Nuclear na investigação do Alzheimer

Entre os exames utilizados, destaca-se o PET-CT com FDG, que avalia o metabolismo cerebral da glicose. Padrões específicos de redução do metabolismo podem ajudar a diferenciar o Alzheimer de outras condições neurodegenerativas.

Outro exame importante é o PET amiloide, capaz de identificar depósitos cerebrais de beta-amiloide, proteína cuja acumulação é uma das características centrais da doença. Além disso, essa técnica permite quantificar a carga desses depósitos, informação valiosa diante dos tratamentos que visam reduzir a presença da proteína no cérebro.

Segundo a médica nuclear Flávia Dornelas Kurkowski, do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e membro colaboradora da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares, a imagem molecular acrescenta uma nova dimensão ao diagnóstico. “Durante muito tempo, o diagnóstico do Alzheimer esteve fundamentado principalmente na história clínica, nos testes cognitivos e na exclusão de outras causas de demência. Hoje, podemos acrescentar a esse processo informações sobre a própria biologia da doença”, explica.

Importância dos biomarcadores com novos tratamentos

A identificação da beta-amiloide tornou-se ainda mais crucial com o desenvolvimento dos anticorpos monoclonais antiamiloide, medicamentos indicados para pacientes nas fases iniciais da doença. Um exemplo é o lecanemabe, que atua sobre formas da beta-amiloide e já possui registro no Brasil.

Para a indicação desses tratamentos, é necessário comprovar a presença da patologia amiloide, o que pode ser feito por meio de biomarcadores, incluindo o PET amiloide.

“A chegada de tratamentos direcionados a um alvo molecular torna especialmente importante saber se aquele alvo está realmente presente no cérebro do paciente. É nesse contexto que diagnóstico e tratamento começam a caminhar de maneira cada vez mais integrada”, afirma Kurkowski.

Diagnóstico integrado e perspectivas futuras

A doença de Alzheimer é a causa mais frequente de demência, representando cerca de 60% a 70% dos casos. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 2,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivem com alguma forma de demência, número que pode chegar a 5,6 milhões em 2050 devido ao envelhecimento da população.

Apesar dos avanços na imagem molecular, o diagnóstico deve integrar a história clínica, testes cognitivos, exames laboratoriais, ressonância magnética e, quando indicados, biomarcadores específicos. A imagem molecular amplia o entendimento da doença, mas a indicação e interpretação dos exames dependem da avaliação médica especializada.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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