Saúde mental: o que protege crianças e adolescentes
Vínculos seguros, pertencimento, rotina saudável e acesso a ajuda podem funcionar como fatores de proteção para jovens em sofrimento.
Quando o assunto é saúde mental de crianças e adolescentes, identificar sinais de alerta é importante — mas a prevenção também passa por construir uma rede de proteção antes que uma crise apareça. Vínculos seguros, sentimento de pertencimento, rotina, autoestima e acesso a ajuda estão entre os fatores que podem funcionar como “amortecedores” diante das dificuldades.
Esses elementos não impedem o surgimento de depressão, ansiedade ou outros problemas, nem oferecem proteção absoluta. Ainda assim, podem favorecer a regulação emocional, fortalecer a resiliência e aumentar as chances de o jovem procurar apoio quando estiver sofrendo.
Um adulto de confiança faz diferença
De acordo com a psiquiatra Danielle Admoni, especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e supervisora na residência de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM), os vínculos familiares seguros são um dos principais fatores de proteção.
Crescer em um ambiente não violento — inclusive sem violência verbal — contribui para a saúde mental. “Esse é o maior fator de proteção que existe: ter um entorno social saudável, que é a família e a família estendida”, afirma a especialista.
Também é importante que o adolescente tenha pelo menos um adulto de confiança, com quem possa conversar sobre preocupações sem medo de julgamento ou punição. Essa pessoa pode ser mãe, pai, outro familiar, professor ou alguém presente na rede de convivência.
Pertencer pode ser mais importante que ter muitos amigos
Um estudo da Universidade de Adelaide, na Austrália, publicado em agosto de 2026, analisou 21.059 estudantes de 15 a 18 anos. A pesquisa encontrou associação entre maior sentimento de pertencimento ao grupo de pares e maior resiliência.
O resultado indica que sentir-se incluído pode pesar mais do que simplesmente ter uma amizade muito íntima. Para adolescentes, fazer parte de um grupo em que se sintam aceitos pode ajudar a enfrentar adversidades.
Já um estudo da Universidade de Manchester, de 2023, analisou 12.130 adolescentes e apontou bullying, discriminação, privação material, problemas no ambiente familiar e saúde física ruim entre os fatores ligados à insatisfação com a vida e a mais dificuldades de saúde mental.
Rotina saudável também é parte da prevenção
A pesquisa britânica também destacou fatores psicológicos internos, como autoestima, regulação emocional e otimismo. Sono suficiente e atividade física apareceram associados a maior satisfação com a vida e resiliência, especialmente entre os meninos.
“Tudo isso não significa que uma rotina saudável seja capaz de resolver um quadro de depressão ou ansiedade, por exemplo, mas ela oferece uma estrutura importante para a saúde mental”, explica Danielle Admoni.
Adultos devem observar mudanças persistentes de comportamento, isolamento, alterações importantes no sono ou na alimentação, queda de rendimento e perda de interesse por atividades antes prazerosas. Quando o sofrimento interfere no dia a dia, buscar avaliação de um profissional de saúde mental é fundamental.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



