Ética médica: por que o poder exige responsabilidade
No Dia Mundial da Ética Médica, reflexão de Michel Nasser relaciona autonomia do paciente, conflitos de interesse e limites do poder.
Quando um profissional ou uma instituição tem poder para decidir sobre a vida, a saúde ou os direitos de outras pessoas, a responsabilidade ética precisa ser ainda maior. Essa é a reflexão central do cirurgião vascular Michel Nasser para o Dia Mundial da Ética Médica, celebrado em 18 de setembro.
Diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Nasser relaciona princípios históricos da Medicina a dilemas que continuam atuais: autonomia, consentimento, transparência, imparcialidade e conflitos de interesse.
Da tradição hipocrática ao consentimento
O artigo lembra que a ética médica não começou com os códigos modernos. Há mais de dois mil anos, a tradição hipocrática já defendia que o conhecimento deveria ser usado em benefício do doente e jamais para causar dano.
Essa preocupação ganhou dimensão ainda mais urgente após a Segunda Guerra Mundial, quando médicos participaram de experiências cruéis em seres humanos. O episódio contribuiu para a formulação do Código de Nuremberg, em 1947, e para a consolidação de princípios como o consentimento e a proteção da pessoa.
Para o autor, a mensagem que atravessa esse percurso histórico é direta: quanto maior o poder exercido sobre alguém, maior deve ser o dever de agir com responsabilidade.
Quando interesses pessoais entram em cena
A ética costuma parecer simples quando interesses e deveres apontam para a mesma direção. O verdadeiro teste, porém, aparece quando há pressão pessoal, corporativa, política ou econômica.
Nesse contexto, o texto propõe uma reflexão sobre as instituições brasileiras e cita as divergências públicas dentro do Supremo Tribunal Federal. A questão apresentada vai além de partidos ou ideologias: instituições que cobram o cumprimento das regras também precisam demonstrar transparência, imparcialidade e responsabilidade em suas próprias condutas.
Na Medicina, isso significa não flexibilizar uma decisão porque a pessoa envolvida é colega, amiga ou parceira de interesses. O mesmo princípio, argumenta Nasser, deveria valer para qualquer instituição.
O limite entre poder fazer e dever fazer
Na Cirurgia Vascular, o dilema aparece diante das novas tecnologias e da capacidade de realizar procedimentos. Ter os meios para fazer algo, no entanto, não significa que a intervenção seja necessariamente indicada.
A decisão deve considerar o benefício para o paciente, os riscos, sua autonomia e possíveis conflitos de interesse, inclusive financeiros. Para quem busca atendimento, essa lógica reforça a importância de participar das decisões, compreender as opções disponíveis e ter seus interesses respeitados.
“Ética não é aquilo que fazemos quando é conveniente; é o limite que aceitamos respeitar justamente quando teríamos poder, interesse ou oportunidade para ultrapassá-lo”, resume o cirurgião vascular.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



